Ele as chamou de “putas” e “raça maldita”. A declaração não é apenas infeliz. É inaceitável e precisa ser tratada como tal.
Em entrevista à TV italiana RAI, o conselheiro do governo de Donald Trump, Paolo Zampolli, ultrapassou todos os limites do respeito ao se referir às mulheres brasileiras com termos ofensivos, generalizações grotescas e ataques de cunho discriminatório. Ao dizer que brasileiras são “programadas para causar confusão” e usar expressões como “raça
maldita”, Zampolli não fala apenas de uma pessoa, ele atinge milhões.
O episódio teve como pano de fundo sua relação com a ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro. Mas, ao transformar uma questão pessoal em um ataque coletivo, o conselheiro expôs algo mais profundo: o preconceito. Preconceito explícito.
Não se trata de opinião. Trata-se de desrespeito institucional. Um representante de alto nível, ligado a um governo estrangeiro, não pode, ou não deveria, se permitir esse tipo de discurso, ainda mais quando carrega consigo o peso simbólico de uma função pública.
A tentativa de justificar as falas com referências a novelas brasileiras ou a supostos comportamentos culturais apenas agrava o quadro. É uma caricatura rasa, que ignora a diversidade, a força e a história das mulheres brasileiras, protagonistas em todas as áreas, da ciência à política, da educação à economia.
Mais grave ainda é o contexto: a própria Amanda Ungaro acusa Zampolli de violência doméstica e abuso. Ou seja, o ataque verbal vem acompanhado de um histórico que, se confirmado, revela um padrão preocupante de comportamento.
O silêncio, nesse caso, não é uma opção. Episódios assim exigem reação diplomática, institucional e social, porque não se trata apenas de uma fala isolada. Trata-se de respeito a um país inteiro.
A mulher brasileira não cabe em estereótipos. Muito menos em insultos. E quando alguém tenta reduzi-la a isso, revela muito mais sobre si mesmo do que sobre quem pretende atingir.
