O problema de Jaques Wagner talvez não esteja apenas na Justiça. Pode estar, principalmente, na política.
A Justiça tem seus ritos, seus prazos, suas provas e seus julgamentos. É ela quem decidirá, no devido tempo, se houve ou não irregularidades, responsabilidades ou crimes. Esse é um caminho que pertence aos tribunais. A política, porém, funciona de outro modo.
Quando surgiram as primeiras informações ligando o nome do líder do governo no Senado ao caso Banco Master, o mínimo que se esperava era transparência absoluta junto ao presidente da República. Aliados políticos não são apenas companheiros de caminhada. São depositários de confiança.
Se Lula foi surpreendido pelos fatos, o episódio ganha uma dimensão que vai além das investigações. Passa a atingir a relação de lealdade que deve existir entre um presidente e um de seus principais auxiliares.
Governos não caem apenas por erros administrativos. Muitas vezes são corroídos pela sensação de que alguém sabia mais do que disse ou disse menos do que deveria.
Jaques Wagner tem o direito constitucional à presunção de inocência. Isso não está em discussão. Todo cidadão possui esse direito e ele deve ser respeitado, mas cargo político não é tribunal. Ministros, líderes de governo e ocupantes de funções estratégicas não dependem apenas de absolvição judicial. Dependem de credibilidade política. É aí que mora o problema.
Quanto mais o caso permanecer nas manchetes, mais difícil ficará para o governo separar a imagem do líder da imagem do próprio presidente.
Lula conhece esse filme. Viveu situação semelhante nos primeiros momentos do Mensalão. Naquele período, a demora nas decisões ampliou o desgaste e permitiu que a crise se aproximasse perigosamente do Palácio do Planalto.
A história não se repete exatamente. Mas costuma rimar. Por isso, a questão central talvez já não seja o destino de Jaques Wagner. A questão é quanto tempo Lula estará disposto a carregar esse peso dentro do governo, porque a Justiça julga pessoas, a política julga circunstâncias e, quase sempre, a política é muito mais rápida.
