O clima nas campanhas é de tensão. Medo e esperança se alternam na respiração dos torcedores e dos coordenadores. Os candidatos nem respiram.
Exagero à parte, campanha esgota energia. Parece divertido, e é, mas cobra seu preço. E quando está para acabar, junta-se ao cansaço físico, o mental.
Abaixo, alguns pontos de aflição e ansiedade.
1
Candidatos estão com nervos à flor da pele.
Como organizar a agenda para dar tempo para tudo que falta e é imprescindível fazer? Qual a prioridade que dá mais retorno em voto?
Quem não planejou a campanha, costuma entrar em desespero para ver o que fazer de última hora. O ainda possível. Aquele arrastão derradeiro.
E quem planejou, está na aflição de que poderia ter planejado melhor. O que dá pra salvar? Onde atacar primeiro? Quem vai me salvar?
2
Problemas práticos não faltam.
O principal é o dinheiro diminuindo e as despesas aumentando.
Mesmo para as candidaturas ricas, tem um momento em que começam os buchichos: Fulano não pagou militantes; candidato Federal não cumpriu acordo com o Estadual; essa chapa já era.
E falta dinheiro sempre para o corpo a corpo, porque a coordenação quer sempre mais militantes contratados, para coalhar as ruas. O limite é o caixa de campanha.
Falta dinheiro para outras ações no sprint da reta final. Para redes sociais, e para aquilo que ninguém admite fazer, mas faz, monta até grupo para isso: boca de urna com dinheiro vivo.
Dinheiro que falta para estrutura no sprint final. Inclusive para as ações legítimas de chegada, o agora ou nunca, a última cartada nas redes sociais e nas ruas.
3
Pesquisas viram a salvação das urnas.
Na falta de tudo, acaba brotando um recurso para as pesquisas sob encomenda. Na onda do desespero.
Elas cumprem dois requisitos: animar a militância e confundir os eleitores, mostrando chance de vitória onde não há.
Tem as pesquisas sérias e as nem tanto. Como separar o trigo? Nada fácil. Apesar de os institutos serem obrigados a revelar o contratante, os verdadeiros donos ficam camuflados.
Pesquisa séria tem empresa séria por trás, tem constância no mercado, tem validação de credibilidade no tempo. Não são critérios perfeitos. Mas ajudam a descartar o joio.
Tirando isso, cada um acredita na que quer. São muitos os que maldizem os números, só que ninguém fica sem olhar e comentar. Relação entre eleitor e pesquisa é de amor e ódio.
4
Animar a militância é fundamental.
Com ou sem pesquisa, a militância precisa ir a campo com motivação total, e isso requer dinheiro (pagamentos em dia). Requer, acima de tudo, jogo de cintura.
Veja o caso de Daniel Vilela (MDB), governador candidato à reeleição. Ele mira vitória no 1º turno. E sua equipe está em ação por isso.
Está em ação com pesquisa, com estrutura, com pressão no secretariado e nos comissionados, com arregimentação de prefeitos e vereadores. Todos por um: ele no 1º turno.
Nessa premissa, Lula está sendo cobrado para fazer o chamado da militância de esquerda. E Flávio Bolsonaro está se mexendo para despertar a direita, aproveitando a crise no STF e o caso Alexandre de Moraes.
Wilder Morais já está fazendo seu chamado dos bolsonaristas em Goiás. Para tentar virar o jogo contra Daniel. Depende disso para crescer nas pesquisas e chegar ao 2º turno.
Marconi, sem a estrutura de governo que um dia teve, e sem a máquina de engajamento do bolsonarismo, faz o que pode. Espera a colheita da peregrinação por mais de 200 municípios, nos últimos meses. Esbarra na rejeição.
5
Momento Plano de Governo zero.
É nesta hora que surgem as promessas apelativas. Toda atenção aos programas eleitorais. E às redes sociais. Agonia selvagem para promover o último recurso de propaganda. O sonho da bala de prata.
E vão fazer de tudo para desviar a sua atenção do que é importante para o que importa a eles: vencer de todo jeito, a qualquer preço. Haverá os convencidos a votar, e os fisgados pelo bolso.
ALERTA MÁXIMO
Alerta de compra de voto.
Não faltará candidato disposto a comprar o seu voto.
A fisgá-lo pelo bolso, pelo lote, pelo cargo, pelo fio de cabelo. Seu voto por um mandato para o eleito fazer o que quiser – e como comprou, pagou, não deverá nada em troca a quem quer que seja.
Quer vender seu voto? Vai vender?
Tem cidadão que vota por um Brasil melhor. Por Goiás melhor.
Tem aqueles inflamados, os que protestam contra a corrupção dos políticos, que votam nos candidatos de estimação ou nem sabem em quem está votando.
E tem os que votam em qualquer um para depois reclamar dele. Se lembrarem o nome. E poder falar mal dos políticos em geral. Sua meta é xingar e maldizer os outros.
Seu voto só vale alguma coisa se você valer.
