A vereadora Aava Santiago ameaçou o PT em público e ainda assim pode ser o nome da vez. Acompanhe.
Aava ameaçou com a possibilidade de o seu PSB lançar chapa própria nas eleições do ano que vem em Goiás, caso não consiga o que quer.
Apresentou sua fatura e espera adesão imediata com capitulação inquestionável. E sua disposição para o diálogo de convergência de interesses partidários. Ela é o consenso.
O PT reagiu, juntou mais desavenças internas e antigas com o PSB, e foi chorar com a direção em Brasília.
O PT goiano foi chutar lá onde Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) compõem chapa à reeleição e lutam com uma polarização que lhes dá, sozinha, muita dor de cabeça. E de onde esperam que pelo menos os aliados não compliquem mais as coisas.
A ameaça de Aava é só mais um capítulo da confusão dentro da frente de esquerda em Goiás. Ou frente progressista, seja qual nome queiram dar.
Uma frente que, na melhor das hipóteses, atinge 10% das intenções de voto no Estado, segundo pesquisas.
A melhor das hipóteses: Adriana Accorsi aceitar o pedido de Lula e Alckmin para ser candidata a governadora e Aava, o de ser candidata a senadora. Ou o contrário. Resolveria.
Uma frente que, no pequeno reduto eleitoral que é Goiás diante do Brasil (5 milhões de eleitores ante 158,7 milhões no total) e por não se entender há meses para chegar a um nome competitivo, arrasta tudo e todos que a compõem em um processo de discussão autodestrutivo em praça pública. Implosivo em credibilidade política e possibilidade eleitoral. Até agora.
Uma frente liderada por dois partidos que, não fosse a exposição negativa midiática que amealham, teriam o espaço que têm os partidos pequenos no Estado. Com diferencial de algum lustro, por conta de nomes em particular de destaque, mas com pouco lastro e capilaridade eleitoral nos municípios.
O PT, grande no País, em Goiás tem dois parlamentares e luta para ao menos manter o número na eleição de outubro. No PSB, embora o discurso seja de euforia e grandeza eleitoral futura, a dúvida pragmática é uma só: tem chapa para eleger ao menos um ou uma deputada federal?
Uma frente liderada por duas presidentes, Adriana e Aava, que simplesmente disseram “não” a Lula. E Alckmin. Mesmo eles deixando claro que precisam delas hoje, agora, já, na disputa majoritária. Não é não. Até agora.
Essa frente. Única.
A ameaça explícita e aberta de Aava junta-se à denúncia de Adriana, a de que há perseguição de gênero a ela dentro do próprio PT, como capítulos ruidosos para além do embate político em um ambiente onde o debate por políticas públicas sociais é exaltado como razão de militância e trabalho acima de tudo. Ficam nos escaninhos, como parte de uma confusão política maior.
Difícil imaginar que o PT, de longa história em Goiás, chegaria a isso. Complicado pensar que a ascensão nacional de Aava a levaria a este ponto.
E, em meio a tanto, uma questão de fundo nas discussões políticas em curso: reuniões de lideranças pontuais dessa frente com o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB), palanque de Ronaldo Caiado a presidente em Goiás. No Palácio das Esmeraldas. Nas conveniências de janeiro em diante.
A frente de esquerda, ou progressista, tem em Luis Cesar Bueno o seu candidato a governador escolhido no Estado, em tese por maioria dos representantes dessa frente. Mas não foi aprovado (ainda) por Lula e Alckmin. Até agora.
Luis Cesar tem história própria. Quatro vezes deputado estadual. Presidente do PT goiano. Seu currículo na vida pública o distingue no Estado, não só nos limites do PT.
No entanto, é tratado como se não merecesse estar onde está, como cabeça de chapa da candidatura dessa representativa frente. Não seria o contrário?
Luis Cesar, de todo modo, é homem de missão.
Há uma ação em curso para convencer Aava de ser a candidata a governadora. Um último suspiro antes das convenções.
Lula não desiste. Pode ter desistido de Adriana. Resta a esperança Aava. Plano B. Plano A, agora.
A ameaça de Aava é uma ameaça. Mas o PT goiano está abaixo disso. Precisa de uma candidatura a governadora que Lula aprove. Lula e Alckmin reeleitos estão acima disso. Luis Cesar teria a opção do Senado.
Todos ganham. Vencer a eleição em Goiás é um detalhe. Perder no Brasil faz toda diferença para o PT. E Aava, quem sabe uma futura ministra. No caso de, quem sabe, não ser governadora. Claro.
Se todos perdem, quem ganha?
