A disputa em Goiás será entre o certo e o duvidoso, segundo o marqueteiro de Marconi Perillo (PSDB), Lula Guimarães.
“A disputa em Goiás é entre o certo e o duvidoso. O certo é quem tem experiência de quatro mandatos de gestão administrativa. O duvidoso é quem só tem experiência legislativa e nenhuma de gestão”.
Palavras dele à jornalista Fabiana Pulcineli, no Popular de quinta-feira, 23.
Marconi é o certo. O caminho certo. Governou Goiás quatro vezes. Tem folha de serviços para mostrar.
O duvidoso é Daniel Vilela (MDB), que não administrou nada na vida, portanto não está preparado para ser governador. Embora seja governador desde abril, com a renúncia de Ronaldo Caiado (PSD).
Contém ironia essa percepção de estratégia do Lula, o Guimarães. Involuntária, por certo.
Ironia que atravessa os tempos. Vem de 1998.
Creio até que outro marqueteiro, ex-chefe do atual e vencedor de campanhas em Goiás, Paulo de Tarso, pode falar com mais propriedade sobre isso. Data venia.
Ou Renato Monteiro e Leo Pereira, craques no marketing, e que estavam lá naqueles idos de 98 na criação. Meu respeito e admiração pela campanha. Quem viu, tem história pra contar. Imagina quem fez.
Me atrevo. Naquele tempo, foi criado o tempo novo que venceu o velho MDB. E o líder e candidato a governador era um moço de camisa azul, 30 e poucos anos, deputado federal sem nunca ter exercido mandato no Executivo.
O nome desse moço, que andava de camisa azul para ser identificado pelo povo que não o conhecia, era o hoje sexagenário Marconi Perillo.
Não peço desculpas por ser velho e me lembrar dessas coisas que vivi. E ficar repetindo histórias. Aprendi com Iris Rezende. Escrevi sobre isso outro dia.
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O moço Daniel Vilela tem o que o moço Marconi Perillo de outrora não tinha: currículo no Executivo.
Daniel é governador desde abril. Foi vice e ficou do lado de Ronaldo Caiado nos últimos três anos e quatro meses. E pode apresentar carta de herança paterna (Maguito Vilela, de popular memória estadual) como referência de emprego no Palácio das Esmeraldas
Moço por moço, os tempos são outros e o velho mudou de lado na linha dos tempos modernos.
A não ser que Marconi se reapresente como novo de novo, redivivo, ele será aquele que já teve quatro oportunidade de governar Goiás e… Não seria hora de passar a bola para um mais como ele em 1998?
Não dá pra saber ainda se o marketing de Daniel Vilela tentará posicioná-lo assim, e se é um bom caminho estratégico. Isso é com a campanha dele.
Mas, daqui deste observatório, é possível olhar para o que uma comunicação reversa pode fazer com esse barro conceitual. O poder da percepção. Outro assunto anotado aqui.
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Para Marconi Perillo e sua estrutura de campanha, ele tem folha de serviços prestados ao Estado.
Para os opositores de Marconi, o que ele tem de verdade é folha corrida de desgastes e fatos negativos a explicar.
O julgamento das urnas não é um julgamento racional. É emocional. Passional. Furtivo.
Pesquisas qualitativas, nos últimos anos – foram muitas, em vários momentos, lidas e acompanhadas de dentro – indicam uma mesma coisas: a imagem de Marconi está arranhada. Mais que isso.
Há pontos difusos.
Marconi fugiu de Goiás. Fugiu? Independente de ser ou não verdade, essa é uma mácula que segue grudada nele. Mudou, nos anos recentes? Pesquisas recentes dizem que não. Mais recentes, pode ser.
A movimentação de Marconi pelo interior, a reconexão com as pessoas nos municípios, não é, isolada de outras movimentações, a ação mais eficaz para quem espera crescer rápido nas intenções de voto. Mas ajuda no lustro da imagem. É o que ele vem fazendo, com acolhida animadoras de populares. Estimuladoras, para quem encherga chance de vitória no horizonte curto deste ano.
Marconi foi preso. Foi? Tecnicamente, isso aconteceu? Foi vítima? Foi vilão? Abandonou os companheiros?
Esses pontos, colocados em evidência, irritam os marconistas, que acusam jogo governista e desconstrução articulada de sua imagem pública com mentiras ou meias verdades.
É o discurso recorrente de Caiado há oito anos. É predominante, pois sem resistência de defensores e do próprio Marconi, em contraponto.
Questões mais complexas e mais determinantes que a simples definição de denúncias e acusações “fabricadas e não comprovadas”, como dito por Lula Guimarães ao Popular.
Estão impressas dentro dos olhos dos goianos, em manchetes no tempo.
Marconi pouco fez para reagir e (ré)posicionar seu patrimônio imaterial. A defesa, quando houve, foi o argumento. Razão tímida versus razão reiterada na mídia e nos palanques.
Os passos dados este ano por Marconi são diferentes na formatação e podem produzir efeito positivo no conteúdo. Mas isso costuma acontecer no longo prazo. Em seis meses, difícil. Em três, uma exceção.
A percepção negativa de Marconi pela população é muro a ser vencido antes que ele possa sonhar em vencer qualquer eleição.
Está nas pesquisas. Implicitamente. Explicitamente, para leitores experientes e entendedores perspicazes. Como Lula.
A missão do novo marqueteiro é árdua. Em especial porque o tempo é curto. Julho está no fim, agosto é um mês pouco produtivo de campanha, e setembro passa voando. O fim das convenções, logo ali no dia 5, fica exatamente a 62 dias do provável fim das eleições.
Há a possibilidade de 2º turno. Mas há também, dizem as pesquisas quantitativas recentes, a possibilidade de não ter. De que provavelmente a disputa em Goiás termine no 1º turno.
É real. Depende do que Marconi, Wilder Morais (PL) e o candidato do PT vão fazer em dois meses.
Achar um mote não é fácil. Em 1998 foi a familiocracia, traduzida em panelinha. O tempo novo vencendo 16 anos de poder peemedebista. Deu certo.
Pelo que o marqueteiro de Marconi indica, o mote agora é o certo contra o duvidoso. E vem a estranheza. Junto com o pequeno detalhe da História.
O mote de Daniel anda no mesmo rumo do mote de Marconi.
O mote pode está explícito em um vídeo que circulou incansavelmente na transição de governo – de Caiado para Daniel.
A música (jingle):
Tô no corre, sabe como é
Eu tô seguindo de cabeça em pé
Eu perco tudo mas não perco a fé
Tu tô indo em busca da minha sorte, eu tô no corre, sabe como é…
A mensagem amarrando, com locução ‘segura’:
Ninguém quer perder o que conquistou
Goiás segue em frente no caminho seguro
(Caminhoneiro fala: “Eu tô seguindo com a cabeça em pé”)
Palavras simples para uma mensagem poderosa: Goiás está bem. E vai melhorar. Tenha fé. O melhor é seguir em frente.
Ou:
O ‘certo’ é seguir em frente com Daniel, na picada aberta e consolidada por Ronaldo Caiado.
O ‘incerto’ é recuar, é perder a segurança (palavra mágica na aprovação do governo atual) e andar para trás.
Quem ‘puxa’ para ‘trás’? Quem personifica o passado e vem reforçando isso com uma pré-campanha toda escorada em falar do que já foi, sem ênfase no que será, e sem a alegria de sonhar?
O incerto é também um contraponto a Wilder.
Porque Wilder, embora empresário com aura de gestor de sucesso, não tem o anteparo de Caiado. É uma incógnita sob a guarda de Jair e Flávio Bolsonaro. Wilder não é Wilder: é o bolsonarismo.
E não ajuda ele usar o discurso de que é um bom gestor na iniciativa privada como garantia de que será bom gestor no governo, em oposição à também alegada inexperiência de Daniel Vilela – mesma referência de Marconi, segundo seu marqueteiro.
Essa foi a carta na manga do empresário Mabel na eleição para a Prefeirura de Goiânia. E a gestão na Capital está corroída. Não está inteira. Há várias pesquisas em mãos de aliados e adversários com visão em 2028.
Inclusive, um problema lateral que a equipe de Daniel reconhece, nos bastidores, lamentando que terá de administrar.
A contenção de danos está em andamento. A conta está no vermelho. Empate já será positivo.
A festa programada, com farta exposição na mídia, para o aniversário da cidade é um respiro. Um ato de esperança. Embora seja fato que há melhoras de imagem.
Para Wilder, o argumento chega fluido, em momento de incerteza sobre sua própria capacidade de liderar diferente, e para melhor. Sua diferença para Daniel, ele disse: ter sido pobre. Um milionário vivendo vida de milionário, repetindo que nasceu pobre. Como Lula, o presidente. Por exemplo.
Senador duas vezes, Wilder não construiu imagem pessoal como referência de líder político entre os iguais. Ou que o faça despontar como liderança pública reconhecida pela massa.
Foi eleitor com menos de 800 mil votos. E no momento em que o bolsonarismo mais esperava dele – votação contra a indicação de Jorge Messias por Lula ao STF -, ele falhou. Contrariou. Não compareceu. Não votou.
Sua candidatura é toda sustentada no bolsonarismo, apesar disso. E explica a contrariedade de parte desse público, mais ligada a Gustavo Gayer, pré-candidato ao Senado pelo PL. Estão juntos. Porém, por essas e outras razões, não estão juntos por amor.
O bolsonarismo pode elegê-lo governador. Mas só o bolsonarismo, não.
E há três forças agindo nesta eleição, em disputa com o bolsonarismo: o caiadismo, o marconismo e o lulismo.
Não é um embate de metade contra metade, como ocorre na disputa nacional.
Em Goiás, o embate é de quatro pontas. A guerra é de quatro costados de potenciais eleitores.
Para Lula Guimarães, Daniel Vilela não é garantia de continuidade do governo Caiado. “É uma passada de bastão para algo incerto. E um risco. Vão querer uma aventura ou um caminho seguro?”
O mesmo poderia ser dito pelo marqueteiro de Daniel sobre Marconi: eleger Marconi ou Wilder é uma passada de bastão daquilo que Caiado criou e vai cuidar, via Daniel, para a incerteza de um futuro nas mãos incertas dos adversários.
Caiado estará ao lado de Daniel como garantidor do presidente e do futuro.
Com Marconi, o Estado estará nas mãos de alguém que não passa segurança política. Que pode destruiu o que foi conquistado.
Percepção das coisas e emoção vencem eleição. E derrotam, se mal calibradas.
Em campanha, não há estratégia certa ou errada. Há a que vence e a que sai derrotada.
A guerra não é para medir quem tem mais razão. É para ganhar a eleição.
Campanha é estratégia e execução. Comunicação e estrutura física. E decisões de candidato.
A convulsão dos fatores envolvidos define o resultado. É desse caos que nasce a brisa ao amanhecer.
Os sinais e as palavras revelam que a eleição em Goiás não será de escolha entre personagens desiguais no conteúdo, mas de iguais na embalagem.
O diferencial estará na força bruta da campanha no chão.
Na militância, nos espaços na mídia, na correria dos municípios, no corpo a corpo doa dia a dia, nos recursos financeiros de sustentação, no arrastão das máquinas, no horário eleitoral da TV, na boca da urna. Ombro a ombro.
Em vez do “Quem é melhor?” para Goiás, vencerá o “Quem tem mais força?”.
Nessa, quem tem o rolo compressor, leva vantagem. Quem tratora mais, sai na frente.
Lula Guimarães está ao sol do cerrado. Aqui o campo minado é outro. Água boa é a água benta de corgo de quintal.
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