A utilização da capacidade ociosa de hospitais privados para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser um dos caminhos para reduzir o tempo de espera por exames e cirurgias eletivas. A avaliação é do deputado federal Ismael Alexandrino (PSD), ex-secretário de Estado da Saúde de Goiás, durante entrevista ao programa De Olho na Política, da TV Sucesso/Band.
Segundo o parlamentar, parte significativa dos hospitais privados opera abaixo da capacidade instalada, especialmente em centros cirúrgicos. Para ele, a compra desses serviços por estados e municípios permitiria ampliar rapidamente a oferta de procedimentos sem necessidade de construir novas unidades ou transferir a administração de hospitais públicos à iniciativa privada.
“O centro cirúrgico fica parado, com capacidade de fazer cirurgias”, afirmou.
Ismael argumentou que a estratégia também reduz custos para o próprio sistema público. Como exemplo, citou pacientes que aguardam por cirurgias de cálculo renal. Segundo ele, a demora pode provocar agravamento do quadro clínico, aumentando a necessidade de internações, tratamentos de alta complexidade e até hemodiálise.
Na avaliação do deputado, investir na realização precoce desses procedimentos representa menor custo para o SUS do que tratar complicações decorrentes da espera.
Ele ressaltou que a proposta envolve exclusivamente a contratação de serviços da rede privada, e não a transferência da gestão de hospitais públicos.
Além da redução das filas, Ismael afirmou que o aumento do número de procedimentos realizados pode fortalecer a capacidade dos estados de ampliar os recursos recebidos do Ministério da Saúde. Segundo ele, a produção assistencial é um dos indicadores considerados pelo governo federal na definição dos repasses para estados e municípios.
Tabela do SUS segue como desafio
Durante a entrevista, o deputado também voltou a defender a atualização da tabela de procedimentos do SUS. Segundo ele, parte dos valores pagos pela União permanece baseada em referências de 2015 e 2016, o que dificulta a adesão de hospitais privados à prestação de serviços sem complementação financeira.
Ismael lembrou que a Câmara dos Deputados aprovou, nos últimos quatro anos, a possibilidade de reajuste anual dos repasses destinados às Santas Casas, medida que, segundo ele, deve representar cerca de R$ 2 bilhões adicionais ao longo do período.
Na avaliação do parlamentar, além da revisão da tabela, instituições filantrópicas de referência precisam de investimentos permanentes em infraestrutura e custeio.
Entre os exemplos citados estão a Santa Casa de Goiânia e o Hospital Araújo Jorge. Mesmo com a ampliação da rede oncológica no estado, incluindo novas unidades em Uruaçu, Itumbiara, Jataí e o Centro Oncológico de Referência do Estado de Goiás (CORA), voltado ao público infantil, Ismael avalia que a demanda continuará crescendo em razão do envelhecimento da população.
Antigo Hugo pode ganhar novo papel
O deputado também comentou a aquisição de uma nova estrutura hospitalar pelo Governo de Goiás para substituir o atual Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
Segundo Ismael, após a transferência dos serviços para a nova unidade, o prédio atual poderia passar por uma reestruturação para se transformar em um hospital especializado em oncologia. Na avaliação do parlamentar, a medida aproveitaria a estrutura já existente e ajudaria a ampliar a oferta de atendimento em uma das áreas de maior demanda da saúde pública.
