Uma semana depois de um movimento brusco na pré-campanha eleitoral em Goiás, tudo volta ao ponto em que estava uma semana atrás: Daniel Vilela (MDB) favorito para governador.
Mudança real mesmo houve na percepção de quem será seu principal antagonista, no pressuposto de que o candidato ao governo é o alvo de todos os outros e, portanto, naturalmente protagoniza um dos polos da disputa.
Sai Marconi Perillo (PSDB) como principal nome na oposição, entra Wilder Morais (PL). E o fato que o consolidou não foi exatamente a filiação de Ana Paula Rezende ao seu partido, para ser vice. Foi a confirmação de sua candidatura.
O anúncio da vice, em um primeiro momento, agitou o cenário político goiano. Mas não significou movimento de saída do MDB ou de emedebistas do apoio a Daniel Vilela.
Na prática, a semana termina com outro efeito: Daniel, o MDB com suas principais lideranças, e o governador Ronaldo Caiado colocaram a faca nos dentes. Estão em campo fazendo do que começou negativo e caminha para o positivo: a largada para a arregimentação de forças em favor de Daniel.
Wilder terá Ana Paula, mas não terá, por exemplo, o irismo, que se confunde mais com o MDB – onde construiu sua história política – do que com ela, que é a herdeira de sangue, não necessariamente de urna e voto.
O trabalho de Wilder está no mesmo patamar. Sua candidatura tem o tamanho do bolsonarismo, direita assumida. Ana Paula é ela. A articulação de Wilder passa pelas redes sociais e os grupos de mobilização ideológica. Depende de seguidores fiéis, e não de apoiadores e políticos locais.
E Marconi? Desiste? Consegue voltar ao foco das atenções e apostas? Aliado ao PT, que nem entrou em campo, e nem fato novo tem?
Daniel tem a sustentação partidária – o MDB é a maior legenda do Estado, a mais enfaixada –, o apoio de um governo com aprovação acima de 80%, um cabo eleitoral igualmente bem aplaudido pelos goianos, que é Caiado.
Daniel tem ainda um fato concreto: assumirá o governo em abril, com a renúncia de Caiado. Some-se a isso outro detalhe concreto e relevante: chapas fortes de candidatos a deputado estadual e federal.
Daniel terá mais chapas de candidatos, mais partidos e, logo, mais cabos eleitorais espalhados e em ação pelo Estado. Gente que quer ganhar ou chegar o mais perto disso para então reivindicar espaços em um futuro governo.
Nessa conta, até a reavaliação de candidatura ao Senado, que passa a ser aberta em vez de concentrada em duas, pode entrar na lista positiva. Serão mais nomes também espalhados e defendendo a reeleição.
A eleição está sendo jogada. A guerra está em curso. Porém, noves fora a semana com cara de fim do mundo, o que temos para hoje é uma coisa só: nada de novo no front.







