A CPI do Crime Organizado recebeu da Receita Federal registros de transferências do Banco Master para escritórios de advocacia e consultorias de várias figuras políticas. As operações, realizadas entre 2022 e 2025, somam dezenas de milhões de reais. Entre os beneficiários estão ex-ministros, governadores, presidentes de partidos e parentes de líderes políticos.
Marconi Perillo (PSDB-GO), recebeu R$ 14,5 milhões via MV Projetos entre 2022 e 2025. O Grupo Massa, da família do governador Ratinho Junior (PSD-PR), recebeu R$ 21 milhões (Massa Intermediação) e R$ 3 milhões (Gralha Azul). O grupo afirmou que Ratinho Junior não é sócio das empresas.
A BN Financeira, de Bonnie Bonilha (nora de Jaques Wagner (PT-BA)), recebeu R$ 12 milhões; Wagner recebeu R$ 268 mil como pessoa física. A Lewandowski Advocacia recebeu R$ 6,1 milhões; a assessoria de Ricardo Lewandowski disse que ele se afastou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça.
Henrique Meirelles recebeu R$ 18,5 milhões. Ele afirma que prestou consultoria “opinativa” sobre macroeconomia ao banco entre março de 2024 e julho de 2025. Guido Mantega, por meio de sua Pollaris Consultoria, recebeu R$ 14 milhões; a reportagem não conseguiu contato com ele. O escritório de Michel Temer (MDB) recebeu R$ 10 milhões em 2025, em duas parcelas.
Antônio Rueda, presidente do União Brasil, teve dois escritórios pagos em R$ 6,4 milhões desde 2023. Sua assessoria negou “confirmar as informações”, chamou os dados de “vazados de forma ilícita” e afirmou que os serviços jurídicos foram técnicos, legais e sem interferência da atuação pública de Rueda.
ACM Neto (União-BA) recebeu R$ 5,45 milhões via A&M Consultoria. Fabio Wajngarten recebeu R$ 3,8 milhões da WF Comunicação; ele afirmou que foi contratado para integrar a defesa de Vorcaro e que o contrato tem sigilo. O escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, recebeu cerca de R$ 80 milhões. A reportagem não obteve resposta dela.
