Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta sexta-feira (22), o presidente Lula fez um mea-culpa sobre o financiamento público de campanhas e anunciou que vetará a minirreforma eleitoral que a Câmara aprovou na terça-feira (19).
“Eu era favorável a fundo partidário, a fundo eleitoral, hoje eu sou contra, porque levou à promiscuidade na política. Um deputado hoje tem R$ 50milhões, R$ 60 milhões de emendas por ano”, afirmou.
O veto presidencial mirará especialmente o dispositivo que permite o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Para Lula, a medida “vai fomentar o uso de robôs na eleição” e representa um risco para a democracia.
“Acho que está na hora de a gente pensar que a inteligência artificial vale para muita coisa, mas ela não pode valer na disputa eleitoral para escolher um prefeito, um governador, um deputado. Não pode”, disse. Ele prometeu atuar primeiro para que o Senado rejeite o texto e, se necessário, vetá-lo integralmente.
A minirreforma eleitoral tramitou em votação simbólica, sem registro nominal, e recebeu críticas de entidades da sociedade civil. O ponto mais controverso, na avaliação dos opositores, é justamente a flexibilização do envio de mensagens em massa, que reduziria o controle sobre a propaganda digital.
Lula também comentou a escalada da polarização política. Questionado por Cissa Guimarães, traçou um paralelo com os Estados Unidos: “Hoje, 90% dos republicanos não aceitam que a filha se case com um democrata”. Para o presidente, o problema se agrava com a ação dos algoritmos das redes sociais. “Eu não quero perder o humanismo que tem dentro do ser humano, porque estamos sendo vítimas dos algoritmos.”
A edição especial do Sem Censura teve ainda a participação da influenciadora Nath Finanças, da jornalista Luciana Barreto e do influenciador Muka.
