A informação nua e crua:
A Receita Federal enviou à CPI do Crime Organizado registros de transferências do Banco Master para escritórios de advocacia e empresas de consultoria vinculadas a políticos, com base em operações entre 2022 e 2025. Entre os destinatários dos pagamentos está o ex-governador de Goiás, e pré-candidato a voltar ao cargo, Marconi Perillo (PSDB).
Isso.
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A pré-campanha de Marconi em Goiás é marcada, até agora, pelo discurso de uma nota só: seus feitos como governador, em quatro mandatos e um ciclo de vinte anos na crista do poder no Estado.
Ele lembra pontes, viadutos, vapt-vupt, e um elenco de realizações. Por tanto tempo com a caneta na mão, natural que tenha volume de coisas para mostrar.
Há uma discussão de fundo sobre a eficácia da estratégia, na adoção e na execução. Eleitor de hoje, mais jovem, tem memória para isso? Repisar o que já está consolidado vale um novo voto?
Há outro ponto: não falar nada, não se valer do que é legado, este não seria um erro maior? A discussão é válida, porém o feto é que ele se vale das lembranças. Faz seu marketing por aí.
Como não há um clima de embate no ar, ele fala, cutuca Ronaldo Caiado (PSD) e fica por isso mesmo. Ex-governador com mais de 80% de aprovação na saída, Caiado ora responde, ora dá de ombros.
Não é pré-candidato em Goiás. Está em outra. Disputa a Presidência da República. E com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Clube em que tucano não entra. Pelo menos ainda não entrou.
Nesse cenário, Marconi é segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto. A mais recente pesquisa Paraná lhe dá 24,4%, contra 43,4% do primeiro colocado, o governador Daniel Vilela (MDB).
Onde Marconi lidera? Em rejeição. Chega a 37,3%, ante 11,7% de Daniel. Marconi é o mais rejeitado sem apanhar de ninguém, este o ponto. Não está na mira. Está em campo atirando e correndo solto.
Porque também não é alvo nem de Wilder Morais, do PL, (11,5% pra governador, 13,4% de rejeição), nem por Adriana Accorsi, do PT (9,2% e 21,6%, respectiva.
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Então.
Até agora a pré-campanha está ligada no positivo para Marconi e os outros. O negativo ainda não se estabeleceu. As balas certeiras das novas denúncias, os tiros de acusação e as bombas de efeito retardado das mazelas acumuladas não estourou.
Até quando uma reputação resiste ao bombardeio inimigo? Até quando um alvo reluzente ao sol resiste às chuvas e trovoadas de tempos velhos de guerra?
Marconi sempre fez uso dos discursos em defesa da ética e da moralidade como sustentação de sua figura política. Esse escudo tem pontas para fora, ou para dentro? Porque isso importa, quando ele for atingido e prensado.
E as denúncias arremessadas aos outros, como soam ao público partindo de quem parte: como verdade, ou como ironia pelo efeito comédia humana: “olha quem tá falando”?
Atire a primeira pedra quem não tem pecado, ensinou Jesus. Hipocrisia pouca é bobagem, dirão os infiéis de campanha. Marconi Perillo, como acusador, resiste como acusado?
Marconi Perillo tem muito o que mostrar. No positivo e no negativo. Se se apresenta como vítima, só o tempo novo da eleição vai mostrar se assim será compreendido. Vítima? Do povo? De si mesmo?
Há pré-campanha de sobra até às convenções, e campanha demais até outubro. O discurso que diz uma coisa terá tempo de sobra pra se entender com a realidade que conta outra história. Vale para todos.
Para Marconi, vale saber desde sempre, à luz de sua verve no alto do condomínio humano que habita: sua ética é mais ética que a de seus adversários? Sua moral é mais moral que a dos outros? Sua régua é mais reta que a régua que vai do palanque armado até as urnas?
Marconi vai para o ataque, na defesa.
PS.:
A Paraná Pesquisas entrevistou 1.310 pessoas em 60 municípios, de 1° a 3 de abril de 2026. A margem de erro é 2,8 pontos porcentuais, para mais ou para menos. Grau de confiança do levantamento: 95%. Registrada no TSE sob número GO-09885/2026.
