Muitas análises vêm sendo feitas sobre como se comporta a/o eleitor/a em cenários polarizados. Aqui procuro, de forma didática e direta, diferenciar algumas dinâmicas comportamentais e comentar sobre a previsibilidade destas.
Para tanto, irei usar algumas pesquisas de institutos locais e nacionais sobre o cenário Estadual. A ideia é abrir o debate sobre como esses dois fenômenos irão impactar o cenário de 2026 no Estado de Goiás.
Tempos e efeitos diferentes.
Primeiro é importante separarmos, analiticamente, o que diferencia o “Efeito Apoios” do “Efeito Polarização”. Esses dois efeitos tendem a “transferir votos” e/ou “esvaziar” as candidaturas “solos”.
1) EFEITO APOIOS: Pode ser notado desde o início. Ocorre na medida em que a informação sobre aos apoios é dada aos eleitores/as.
A pesquisa AtlasIntel (Set/2025) traz uma simulação bem didática:

📊 Dados: IGAPE | Atlas Intel |: 20-26/Dez/2025. Amostra: 1.200/56 municípios. Erro ±2,5p.p Dados: 17-23/Set/2025. Amostra: 2.872. Atlas RDR. Erro ±2p.p. Fontes: O Popular (Metodologia SERPES, 801 eleitores, 3,5 pp), G1 Goiás (Quaest, 1.002 eleitores, 3 pp), Futura Inteligência (800 eleitores, 3,5 pp) Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Vejam o efeito na simulação da AtlasIntel (set/25), dada a informação dos apoios de cada um:

📊 Dados: IGAPE | Atlas Intel |: 20-26/Dez/2025. Amostra: 1.200/56 municípios. Erro ±2,5p.p Dados: 17-23/Set/2025. Amostra: 2.872. Atlas RDR. Erro ±2p.p. Fontes: O Popular (Metodologia SERPES, 801 eleitores, 3,5 pp), G1 Goiás (Quaest, 1.002 eleitores, 3 pp), Futura Inteligência (800 eleitores, 3,5 pp) Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Adriana (+2,8%) e Wilder (+2,2%) crescem acima da margem de erro;
- Daniel (+1,2,%) oscila positivamente; e
- Marconi (-1,4 %) e Telêmaco (-0,1) oscilam negativamente;
Independente das escalas ou de quem ganha quanto, o que é importante notar é quem perde. Quem está “só” é que “transfere”. O tamanho dessa transferência dependerá de outros valores conjunturais. Contudo, os “doadores” sempre serão aqueles se gabam de que “estar só é melhor do que mal acompanhado”.
- EFEITO POLARIZAÇÃO. Aparecerá na reta final. Isso acontece na medida que se criam as possibilidades de cálculo abertas aos eleitores/as.
Apresento como isso se deu em dois momentos: nas eleições municipais na Capital (2024) e nas estaduais para o Senado (2022). Recortarei os últimos trinta dias de cada pleito estruturando duas figuras ilustrativas com dados de coletas semanais de diferentes institutos para mostrar a velocidade que uns são “esvaziados” e outros “surfam” o efeito da onda provocada pela polarização. Novamente, negrito, o importante não é as escalas ou quem ganha quanto de quem, o que é importante notar quem é esvaziado(a) (lembro que é uma comparação entre percentuais “do total” da intenção X votos válidos). Vejam:
Eleições Municipais (Prefeitura Capital 2024)

- Polo Bolsonarista: Explícito e reiterado.
Fred Rodrigues (+21,84 pp: sendo 16% na última semana).Imagem colada ao estilo, temas e propostas bolsonaristas.
- Polo Lulista: Adesão envergonhada.
Adriana Accorsi(+5,34 pp., sendo 04% na última semana). Apelo à força do GF, sem referência explícita ao PT/Lula.
- Referência Local: Vinculação aoGoverno Estadual bem avaliado.
Sandro Mabel(+7,16 pp., sendo 0,5% na última semana). Crescimento consistente e consolidação do apoio inicial. Perde pouco na reta final, mas não se esvazia.
- Sem Referência Nacional/local.
Vanderlan Cardoso.(–13,43 pp., sendo 8% na última semana)Esvaziamento. Dificuldade em manter a base inicial sem referência forte nacional ou local.
Eleições Estaduais (Senado, 2022)

- Polo Bolsonarista: Explícito e reiterado.
Wilder sai de 4% e termina c/ 25,25% (ou 5X mais).
- Polo Lulista: Adesão envergonhada
Denise sai de 2% e termina c/ 9,5% (ou 4X mais).
- Referência Local: Governo Estadual bem avaliado
Waldir oscila, mas o apoio da máquina Estadual lhe dá um piso próximo ao que já tinha.
Não ganha ou perde pouco, mas não se esvazia.
- Sem Referência Nacional/local.
Marconi sem referência se esvazia: perde de 10% (ou 1/3 a menos). Paradoxalmente, se
andasse “mal acompanhado” com a centro-esquerda venceria com folga de 5,45% o
candidato de extrema direita.
Notaram que este só aparece, com mais força, na reta final e que sempre há um padrão? Aqui:
- Em um cenário polarizado não há como se esconder ou camuflar.
- Apoio local forte e bem avaliado conta. Ele dá um piso e/ou a segurança de que “sangrará” menos na reta final.
- Ganha mais quem o explora com maior intensidade.
- Isso eleva a rejeição e complica a posição (competividade) em um eventual segundo turno? Sim. Contudo, sem isso corre o risco de não estar nele.
E, por fim, o certo é que, ainda mais forte que o “efeito apoios” quem está só será o mais afetado. Andar sozinho realmente não está na moda. Em tempos de polarização, é preciso um lado para chamar de seu, para fugir desse efeito só com uma estrutura local forte e bem avaliada, ou melhor, bem avalizada.
QUEM VAI GANHAR?
Diante da tendência apontada pela AtlasIntel, é possível especular que, na reta final:
- Em maior grau, os/as eleitores/as Marconistas, mais à direita e mais à esquerda, à medida que percebem que Marconi “está ficando fora do jogo”, ficarão tentados em votar em Adriana ou em Wilder, isso para evitar que seus contrários estejam no segundo turno; Qual o tamanho desse esvaziamento, ou seja, será suficiente para tirá-lo do segundo turno?
- Em menor grau, os/as eleitores/as Vilelistas, mais à direita e mais à esquerda, ao perceber que Daniel “está no segundo turno”, ficarão tentados a atrapalhar Adriana ou Wilder, isso para evitar que aquele/a mais “odiado/temido” prejudique seu candidato original no segundo turno;
- O apoio do Governo Estadual dará um piso a Daniel Vilela e, se bem trabalhado, poderá lhe dar um crescimento constante. Será suficiente para mantê-lo como líder, ou seja, o protegerá de oscilações de reta final?
Por fim, esse é o quadro cheio, com todas as possibilidades postas até agora. Os últimos movimentos devem afetar esse quadro e a intensidades das projeções. Por exemplo, caso: 1) Wilder não saia e fortaleça o palanque de Daniel; 2) Caiado ocupe a presidência do PSD/GO e o desloque para a chapa governista; 3) Edward Madureira se consolide como candidato da centro-esquerda (Federação PT/PcdoB/PV; Federação PSOL/Rede; Cidadania, PSB, Democratas), o cenário “A” se tornará mais viável.
Isso porque Marconi estará não só fora da polarização. Estará isolado. Para evitar esse isolamento, só restará atrair o bloco de centro esquerda comandado por Edward Madureira. Se isso ocorrer, evita o isolamento, mas transformará a eleição estadual em um pleito de um turno só. Caso isso não for possível abre a possibilidade ser ultrapassado por Edward Madeira.
Caro leitor, como pôde notar será uma eleição com muitos movimentos importantes. Está em jogo não só 2026, mas também 2030.







