A investigação que apura denúncias de crimes sexuais cometidos pelo ginecologista Marcelo Arantes e Silva ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (17). O número de vítimas registradas saltou de 5 para 12 após a Polícia Civil de Goiás revelar a identidade do médico. Com o surgimento de novos relatos, a delegada responsável pelo caso, Amanda Menuci, estuda apresentar um novo pedido de prisão preventiva ao Judiciário.
Expansão das investigações em Goiânia e Senador Canedo
Até a última quinta-feira (16), cinco pacientes haviam formalizado queixas contra o profissional. Contudo, após a divulgação da imagem do suspeito pela corporação — medida estratégica para encorajar possíveis vítimas —, outras sete mulheres compareceram à delegacia para relatar abusos.
Dos novos depoimentos coletados:
- Quatro vítimas afirmam terem sido molestadas durante atendimentos realizados em unidades de saúde em Senador Canedo.
- Três vítimas relataram episódios ocorridos em Goiânia.
A Polícia Civil acredita que o número de denúncias pode aumentar nos próximos dias, à medida que o caso ganha repercussão no estado.
O embate jurídico pela prisão preventiva
A delegada Amanda Menuci havia solicitado a prisão preventiva de Marcelo Arantes no mês passado, mas o pedido foi inicialmente indeferido pela Justiça. Na ocasião, o magistrado optou por aplicar medidas cautelares, que incluem a proibição imediata do médico de exercer a profissão e de manter contato com as testemunhas.
Entretanto, a autoridade policial destacou que o cenário jurídico mudou com o volume de novas denúncias. “Apenas fatos novos ou o surgimento de novas vítimas poderiam fundamentar uma nova solicitação de prisão, o que se concretizou agora”, explicou a delegada durante coletiva. A expectativa é que um novo relatório seja encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário ainda hoje.
Posicionamento do Conselho de Medicina
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) já formalizou a suspensão cautelar do registro profissional de Marcelo Arantes e Silva, impedindo que ele realize qualquer tipo de atendimento médico enquanto o processo administrativo e o inquérito policial estiverem em curso.
Em nota, a defesa do médico afirmou que as acusações são graves e demandam uma investigação técnica e rigorosa. Os advogados ressaltaram a importância do princípio da presunção de inocência, defendendo que qualquer conclusão sobre a culpabilidade do investigado só deve ser feita após o encerramento do processo legal e o trânsito em julgado.
