O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, anunciou nesta terça-feira (14) a proposta de criação de um selo de acurácia eleitoral para reconhecer os institutos de pesquisa que apresentarem maior precisão nas projeções dos resultados das eleições. A iniciativa foi apresentada durante reunião com representantes de institutos de pesquisa e ainda passará por discussão antes de eventual implementação.
Segundo a minuta da proposta, o selo será concedido aos institutos cujas pesquisas registrarem maior proximidade com os resultados oficiais das urnas. A avaliação deverá considerar apenas os levantamentos divulgados nos sete dias que antecedem a eleição e as pesquisas de boca de urna realizadas no dia do pleito. Também está prevista a exclusão de empresas que tenham sido condenadas por irregularidades graves.
A proposta foi apresentada a representantes de 19 institutos de pesquisa durante encontro realizado na sede do TSE, em Brasília. O presidente da Corte afirmou que a intenção é valorizar as empresas que demonstrem maior precisão técnica, fortalecendo a credibilidade das pesquisas eleitorais e contribuindo para a transparência do processo democrático.
Os institutos poderão apresentar sugestões para aperfeiçoar a proposta até a próxima sexta-feira (17). As contribuições servirão de base para a definição dos critérios finais do selo de acurácia, que ainda depende de regulamentação pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Durante a reunião, representantes dos institutos manifestaram preocupação com alguns pontos da proposta, especialmente o recorte temporal utilizado para medir a precisão das pesquisas. Segundo eles, levantamentos realizados mais próximos da votação tendem, naturalmente, a apresentar resultados mais próximos do desfecho eleitoral, enquanto pesquisas feitas semanas antes refletem apenas o cenário existente no momento da coleta de dados.
Os participantes também ressaltaram que a iniciativa ainda está em fase inicial e que o texto apresentado pelo presidente do TSE tem caráter de minuta, aberta a alterações após o diálogo com o setor. Segundo representantes dos institutos, não houve imposição de regras, mas o início de uma discussão sobre mecanismos que possam estimular maior qualidade e transparência nas pesquisas eleitorais.
A proposta surge em meio ao debate sobre a regulamentação das pesquisas eleitorais no país. Nas últimas semanas, o TSE passou a discutir possíveis mudanças nas regras após questionamentos envolvendo a metodologia de alguns levantamentos divulgados durante o processo eleitoral. A Corte também analisa critérios relacionados à formulação e à ordem das perguntas aplicadas aos entrevistados, tema que poderá influenciar futuras normas para o setor.
