Quem é de Goiás sabe que o pequi é um tesouro da culinária regional, mas também conhece bem o susto que os famosos espinhos podem causar. Afinal, por que o pequi tem espinhos?
Uma defesa natural
O nome pequi vem do tupi “pyqui”, que significa literalmente “casca com espinhos”. Esses espinhos, que já levaram muitos desavisados ao hospital, têm uma função específica na natureza: proteger a semente, garantindo a reprodução da espécie.
Quando animais como preás, capivaras, lobos-guarás e antas consomem o pequi, os espinhos impedem que eles mastiguem o caroço inteiro. Isso faz com que o caroço com as sementes seja descartado intacto, permitindo sua germinação em outros locais. Alguns animais, como o tatu, chegam a enterrar os frutos para acelerar o amadurecimento, mas frequentemente acabam esquecendo-os, colaborando ainda mais com a dispersão das sementes.
Comer pequi sem acidentes
Para aproveitar o sabor e a textura incomparáveis do pequi sem acidentes, o segredo é roer cuidadosamente a polpa, evitando os espinhos escondidos dentro do caroço. Pesquisadores já conseguiram desenvolver variedades sem espinhos, facilitando ainda mais o consumo desse fruto tão amado.
Benefícios escondidos
Além da defesa natural, os espinhos do pequi têm um potencial surpreendente. Normalmente descartados após o consumo, esses espinhos podem ser processados em uma farinha nutritiva, rica em proteínas, fibras, lipídios e minerais essenciais como ferro e zinco. Essa farinha pode ser usada na alimentação humana e animal, oferecendo uma alternativa econômica e nutritiva para regiões carentes.
Muito além dos espinhos
O pequi é um verdadeiro presente do Cerrado: sua polpa contém vitaminas C e A, fibras que auxiliam a digestão, além de gorduras benéficas em consumo moderado. Também é amplamente utilizado na indústria cosmética, produzindo óleos hidratantes e sabonetes.