O Centro Estadual de Medicação de Alto Custo Juarez Barbosa (Cemac JB) registrou alta de 120,8% nas dispensações de medicamentos entre 2019 e 2025. O volume passou de 676,8 mil para 1,49 milhão de entregas de fármacos especializados. O avanço altera o patamar da cobertura de saúde no estado.
A base de usuários cadastrados quadruplicou no período, saltando de 35 mil para atingir a marca de 140,4 mil pessoas. A digitalização do processo de solicitação pelo Portal Expresso reduziu entraves burocráticos e acelerou a entrada de novos pacientes no sistema público, o que explica a expansão da demanda.
O resultado entrega ao Executivo estadual um forte argumento social e consolida a influência do governo junto às lideranças municipais do interior, que contam com a descentralização da entrega de medicamentos em policlínicas regionais para atender suas bases.
No entanto, o crescimento expressivo não blinda totalmente a gestão de desgastes operacionais. O Cemac JB ainda enfrenta desafios logísticos complexos, como episódios de desabastecimento temporário de medicamentos de alta complexidade cuja compra é de responsabilidade exclusiva do Ministério da Saúde. Além disso, a sobrecarga no atendimento presencial exigiu medidas duras recente de reorganização, como a obrigatoriedade de retirada de medicamentos exclusivamente na data agendada, adotada a partir de 2026 para conter filas.
A projeção para 2026 prevê nova quebra de recorde, com 1,84 milhão de dispensações. A simplificação do fluxo beneficia diretamente os portadores de doenças raras e crônicas, embora crie uma obrigação financeira e logística contínua para a máquina pública estadual.
O ponto crítico para a sustentabilidade orçamentária vai além do fluxo regular de repasses do governo federal. O principal gargalo fiscal da pasta reside na escalada da judicialização da saúde, cujos custos com a compra de remédios por decisão judicial dobraram nos últimos anos em Goiás, aproximando-se do orçamento anual do próprio Componente Especializado da unidade.
A pressão ocorre em meio a uma transição fiscal importante: com a migração de Goiás do rígido Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para o novo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas (Propag) em 2025, o estado ganhou mais flexibilidade para investir, mas o controle sobre as despesas com saúde pública segue sob vigilância rigorosa para evitar desequilíbrios nas contas do Tesouro Estadual.
