O crescente endividamento do agronegócio brasileiro voltou ao centro do debate nacional. A Medida Provisória nº 1.376/2026 e a Resolução CMN nº 5.330/2026 trouxeram alívio parcial, mas especialistas apontam que o problema é estrutural.
A MP autoriza linhas de crédito para composição de dívidas e a participação da União em fundo garantidor para operações afetadas por eventos climáticos. A CNA classificou a medida como alternativa decisiva, mas especialistas veem limitações.
O engenheiro agrônomo Suaildo Martins Marques e o advogado Wilson Azevedo afirmam que a crise não decorre apenas de fatores conjunturais, como perdas climáticas ou oscilações de mercado.
“O problema é estrutural. O modelo de financiamento agrícola tornou-se incompatível com a realidade econômica da atividade rural”, dizem.
Apenas no Banco do Brasil, os produtores devem mais de R$ 100 bilhões, segundo a Forbes Brasil.
Juros elevados
Os especialistas destacam que juros reais superiores a 10% ao ano são incompatíveis com a dinâmica econômica da produção agrícola. O custo financeiro absorve parcela significativa da renda produzida no campo.
“O produtor deixa de trabalhar para gerar lucro e passa a trabalhar para pagar juros. O resultado é a transferência de parcela relevante da renda do setor produtivo para o sistema financeiro”, explicam.
Propriedades tecnificadas e produtivas podem enfrentar severas dificuldades financeiras. A crise atinge produtores familiares e grandes empresas rurais.
Enquanto as medidas legislativas tramitam, especialistas recomendam a adoção imediata de instrumentos jurídicos para proteção patrimonial e reorganização de dívidas.
