Candidatos a deputado estão reclamando menos e trabalhando mais. Os mais espertos, por certo.
No vale tudo por um mandato na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, foto com candidato a governador contrário é chumbo trocado.
O candidato a governador também não está fechando questão com ninguém. Vale o voto na urna. O resto se ajeita.
Em uma imagem no Instagram, Gracinha Caiado (UB) aparece ao lado de Gustavo Gayer (PL), em evento organizado por candidato que apoia Daniel Vilela (MDB) para governador. Qual o problema?
Gustavo Mendanha pode ser visto em foto com Gayer e Wilder Morais (PL) governador. Há movimento Gu-Gu selando a dobradinha.
Em outra foto, Mendanha está com Daniel Vilela e Gracinha. Falta uma dele ao lado de Vanderlan Cardoso (PSD).
Vanderlan cobra lealdade dos candidatos da base do governo.
Não faz isso por hombridade. Faz por risco. Precisa do voto governista pra se reeleger, e se há dispersão, ele não chega lá.
Candidatos a deputado federal de um lado e candidatos a governador de outro são uma constante porque a guerra agora não é mais pra formação de tempo de TV, de demonstração de força, ou de arregimentação de cabos eleitorais travestidos de candidatos ao Legislativo.
A guerra é todos contra todos. Ninguém é de ninguém. Uma mistura. Uma contradição em si.
Eleição do quem é mais esperto, engole o outro. Como o nadador sem fôlego no meio do rio bravo que luta para chegar do outro lado, cada um se vira como pode.
Sabe aquelas confusões da pré-campanha sobre divisão de municípios dentro da base governista? Brincadeira de criança, perto da briga de rua agora.
O negócio é um engolir o concorrente na estrutura, no dinheiro, no avanço sobre os eleitores. Vale tudo, sem tempo a perder com reclamações, a não ser pra marcar posição e irritar o inimigo. Isso tá valendo.
Um candidato a estadual veio a público para denunciar: estão comprando votos por mil reais na minha região.
Um absurdo, diz agora. Risível, na verdade. Onde isso não acontece? Na pré-campanha, esse candidato, que era pré, fazia galinhada a torto e a direito, correndo o trecho.
Outros candidatos acusam o golpe em praça pública. Vão para a mídia vociferar: estão assediando meus redutos.
Mesmo compasso, só que no microfone. Tudo a preço de ocasião.
Ninguém apresenta a prova do crime. Muito menos condena o eleitor, que vende e revende o voto no mercadinho eleitoral.
O choro é livre e engraçado. Quem chora, não leva o voto. Mas só tem culpa quem compra voto?
Os candidatos a governador não controlam sua tropa de choque porque não é preciso.
A maioria é formada de pequenos candidatos, rabos de chapa, carentes e dependentes de recursos e cargos futuros no governo.
Gente que está onde está para fazer número. Não há quem espere que façam bonito.
Os candidatos a governador administram os tropeços, os combates internos, procuram colocar ordem no desespero dos agoniados candidatos com a pressão dos repasses.
Fazem isso para passar o tempo, enquanto combatem em sua própria batalha.
Vão levando, apertando e afrouxando a mão do comando. Usando e abusando da massa de manobra.
As traições menores são relevadas, entram na lista de vinganças adiadas para depois da vitória, se esta vier.
Onde a confusão mais prospera é na base governista porque tem a maior quantidade de candidatos.
O favoritismo, somado ao controle da máquina pública, fazem do governador Daniel Vilela um candidato com poder e com perspectiva de poder.
Sua tropa, neste instante, está mais disposta a se agradar do que agradá-lo, porém ninguém quer desagradá-lo por completo.
A mágica do drible de corpo acontece aí, nessa malemolência do chão da política. A base física das bases dos poderosos e caçadores de votos.
Marconi Perillo (PSDB), sem perspectiva sólida, se vira com estrutura menor, o que leva a maior flexibilidade dos candidatos.
Perde empenho de aliados na fluidez dos acertos pragmáticos das campanhas legislativas. O que pode fazer?
Marconi faz o que pode, com o que tem. Seu norte é o povo. O povo dá o poder e tira.
As candidaturas de Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) são mais orgânicas, definidas por partidos bem constituídos.
Petismo e bolsonarismo são pontos de referência, como todo governo é por razões de força maior. Estruturas menores, mas diligentes.
A exceção explica propensão menor para ações paralelas dos candidatos proporcionais, mas não impede.
Gustavo Gayer tá fazendo a campanha dele. Wilder não é prioridade.
No campo progressista, nomes como Aava Santiago (PSB), Adriana Accorsi, Delúbio Soares e Rubens Otoni (todos PT) não firmam questão em torno de Luis Cesar Bueno.
A desistência de Pedro Salles (PSD) está na conta das avenças de campanha. Saber o motivo de sua saída da corrida importa para entender o clima interno no governo.
No entanto, ele está fora por fragilidade própria. Um dos primeiros testes de resistência é a sobrevivência da candidatura ante as intempéries.
Qualquer que seja a razão (e não há que se julgar seus propósitos), ele perdeu a eleição para ele mesmo, antes de ao menos ter chance de perder nas urnas.
O muro das lamentações eleitorais serve para separar os fortes dos fracos. Apartar os resilientes. E resistentes. É a linha de corte da política como ela é.
