Daniel Vilela (MDB) conduz sua campanha sem buscar sobressaltos. Toca de lado, segura a bola, não há correria pra marcar gol. Se os inimigos não têm pressa, por que ele teria? Quanto menos sobressalto, maior a chance de vitória – e no 1º turno.
Marconi Perillo (PSDB) dispara no meio, vai para o ataque, tromba, quer confronto. Cara fechada, joga para a torcida. Fala alto. Escuta cobranças sobre águas turvas passadas. Na falta do corpo a corpo, discursa, ocupa os espaços possíveis na mídia.
Wilder Morais (PL) acaba de entrar em campo. Titubeia, sem saber qual o seu campo e qual o do inimigo. Foge de bola dividida. Nada de chutar para onde está o goleiro. Calcula vencer com gol contra. Mão na cintura, espera o adversário e a providência do bolsonarismo agirem a seu favor.
Luis Cesar Bueno (PT) se movimenta em campo atacando e se defendendo em nome de Lula. Os outros candidatos olham, respiram, sentam no gramado. Rezam para serem convocados no 2º turno.
Bola rolando, não há clima de campanha nesta altura do campeonato.
Ande por sua cidade e repare: o sol queima, a banda passa, tudo está calmo. Deserto de eleição.
Movimento de campanha, só nos comitês, e nos gatos pingados nas ruas por uns poucos candidatos.
O marasmo predomina na cena eleitoral faltando menos de dois meses. Entraves na liberação dos recursos de campanha contribuíram para o jogo parado. Mas não só isso.
Nada de pé no chão, olho no olho, mão na mão, “peço o seu voto!”. Tem candidato certo de que só precisa fazer dancinha nas redes sociais para garantir o voto do eleitor.
E isso é bom pra quem? Pra quem está na liderança.
Sem onda, o barco não vira. Sem ataque adversário, nem perigo de gol ocorre na sua área. E o indeciso vai na fé. Mudar o quê? Pra quê?
A tensão na disputa pelo Senado dentro do governo já baixou o tom. Deu o desgaste que tinha que dar. Agora é todos por um.
O único vento neste momento que poderia indicar mudança de jogo é a disputa nacional. Com as denúncias envolvendo o filho de Lula.
Mas nada. DataFolha desta sexta, 22: Lula 39%, Flávio 33% no 1º turno.
Lula e Flávio empatados no negativo das denúncias e no positivo das intenções de voto. Diferença pouca.
Os fatos nacionais vão se refletir de fato em Goiás? Como? Podem ajudar na melhora das intenções de voto de Wilder Morais (PL), o candidato do Flávio? Podem piorar.
A expectativa em relação ao bolsonarismo continua relevante, por ser uma incógnita respeitável. Mas, sobre Wilder, não há nenhuma. Dele não sai nada. Não saiu
O que depende de Wilder, na campanha, não anda:
1 – o apoio do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), vai para Daniel Vilela;
2 – continua o impasse com Gustavo Gayer, candidato a senador, nos bastidores. Gayer está para um lado, Wilder para o outro. O resto é encenação;
3 – agenda forte e constante de campanha? Lenda. E os que mais reclamam são os aliados;
4 – Não há pegada na campanha. Ele avisou que não vai criticar nem Daniel, nem Marconi, nem Luis Cesar;
5 – seu Plano de Governo é uma carta de intenções com propostas abertas, sem consulta aos dados do Portal da Transparência e sem informação objetiva.
Se para Wilder a esperança é o levante bolsonarista, para Marconi a esperança é que o povo se levante da cadeira para mudar sem razão convincente.
Wilder fecha os olhos e chuta. Marconi procura o gol. A mudança não está no jogo. A mudança de jogo de um ou do outro não entrou em campo. A chave não muda sozinha.
Na mais recente Quaest, Daniel aparece com 64% de aprovação, e Caiado, com 87%. A aprovação à gestão de Daniel é de 53%, e à de Caiado, que deixou o governo em abril, é de 72%.
Mudança é a palavra mais ausente das pesquisas nos últimos meses. Qualitativas apontam outros rumos. A leitura de jogo está cega pela fé nas convicções.
De repente todos viraram técnicos de futebol e marqueteiros, em Goiás.
Do dia pra noite, candidatos passaram a duvidar das lições da História, da ciência dos dados estatísticos e das probabilidades, da coleta de percepções e dos cientistas contratados.
Jogaram pro alto a lucidez, para apostar tudo na estupidez dos amadores. Ou, vale o trocadilho: dos odiadores.
O tempo para Wilder e Marconi encolhe cada dia mais. O 2º lugar é só um lugar na História.
Se nada acontece hoje, agora, na eleição em Goiás, o que acontecerá em outubro, nas urnas, está escrito.
