O Governo de Goiás realiza nesta terça-feira (25), às 10h, a licitação para contratar as instituições que vão estruturar, administrar e gerir o primeiro Fundo de Investimento Imobiliário (FII) do Estado. O modelo pretende ampliar as possibilidades de exploração econômica de imóveis públicos que estão sem uso ou têm potencial ainda não aproveitado.
A estimativa apresentada nos estudos chega a R$ 12,3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante, porém, não representa receita imediata para os cofres estaduais. Trata-se do potencial de vendas de empreendimentos que poderão ser desenvolvidos a partir dos ativos imobiliários.
A concorrência é conduzida pela Secretaria de Estado da Administração (Sead) e terá como critério a combinação entre técnica e preço. O consórcio vencedor deverá reunir um administrador fiduciário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e um gestor profissional habilitado.
Modelo muda estratégia para imóveis públicos
A criação do fundo estabelece uma alternativa à venda direta de imóveis estaduais. A proposta é avaliar quais ativos podem ser utilizados em empreendimentos capazes de gerar retorno econômico, em vez de tratá-los exclusivamente como bens destinados à alienação.
A autorização para o modelo está prevista na Lei Estadual nº 24.387/2026, sancionada neste ano. A iniciativa tem como referência uma experiência semelhante adotada pelo Estado de São Paulo.
Na prática, o Estado continuará definindo as diretrizes patrimoniais e os limites para utilização dos imóveis. A administração financeira e a gestão dos ativos ficarão a cargo das instituições selecionadas no processo de contratação.
Estudos analisaram 17 imóveis
A viabilidade do modelo foi avaliada a partir de estudos realizados sobre 17 imóveis estaduais. Foram considerados aspectos como localização, situação jurídica, ocupação, possibilidade de novos empreendimentos e potencial de valorização.
Segundo os anexos do edital, esses 17 ativos poderiam sustentar projetos com até R$ 1,8 bilhão em VGV após construção e comercialização.
O levantamento funciona como uma amostra para avaliar a capacidade do modelo antes de uma eventual ampliação para outros imóveis pertencentes ao Estado.
Contrato está estimado em R$ 77,7 milhões
O edital prevê R$ 77,7 milhões como valor estimado da contratação das instituições que participarão da estruturação e operação do fundo durante o período previsto.
O administrador fiduciário será responsável pela administração formal do FII, enquanto o gestor profissional ficará encarregado das decisões relacionadas aos ativos e às estratégias de investimento.
A operação deverá seguir as normas aplicáveis ao mercado de capitais e à administração de fundos imobiliários.
O que está em jogo
O principal efeito do projeto é a mudança na forma de tratar parte do patrimônio imobiliário de Goiás. Em vez de limitar a estratégia à venda dos imóveis, o Estado passa a considerar estruturas financeiras capazes de viabilizar novos empreendimentos.
O número de R$ 12,3 bilhões deve ser interpretado nesse contexto. O VGV indica o tamanho potencial dos negócios que poderiam ser realizados, mas depende da efetiva implantação dos projetos, das condições de mercado e da comercialização dos empreendimentos.
A licitação desta terça-feira será, portanto, o próximo passo para definir quem ficará responsável por transformar o modelo previsto em uma estrutura operacional. O edital está disponível no Sislog, sob a contratação nº 120732.
