Candidato a governador de Goiás, Wilder Morais (PL) apoia Flávio Bolsonaro para presidente.
Luiz César Bueno, nome do PT para governador, apoia a reeleição de Lula.
O governador Daniel Vilela, em busca da reeleição no Estado, apoia Ronaldo Caiado.
Marconi Perillo (PSDB), na disputa pelo Governo, não apoia ninguém.
Lula, Marconi não topa, embora não faltem acenos do PT com apoio até hoje.
Recentemente, acenou para Flávio, em eventual 2º turno. Pouco antes, o aceno tinha sido do presidente estadual do PSDB, Gustavo Sebba. Gustavo disse que seria um caminho natural para o tucano.
Muitos não entenderam.
Há outra questão de fundo.
Por que Marconi Perillo não apoia Caiado.
Aparentemente algo impensável, embora os dois tenham sido muito aliados no passado.
Daniel Vilela é o candidato de Caiado. Logo, apoiar Marconi seria estranho. Improvável.
Mas esse apoio de Marconi a Caiado flertou com o possível.
O ponto de convergência de interesses seria o apoio do Republicanos ao PSDB.
Sem interferência de Caiado.
Para Marconi, ter o apoio do Republicanos entraria na conta de ganho estratégico.
Para Caiado, mais palanque estadual para seu projeto nacional.
Para Daniel Vilela, sim, uma perda partidária: de extensão de cooogacao, de narrativa de força eleitoral, de tempo de TV.
Mas teria um pé na realidade das escolhas das alianças políticas mais amplas.
É quando entra um personagem-chave nessa história.
Para o presidente estadual do Republicanos, Roberto Naves, o ajeitamento seria uma solução e uma saída.
Ex-prefeito de Anápolis, Roberto é inimigo aberto do atual prefeito, Márcio Corrêa. Que é do PL. Mas que era do MDB – só mudou de partido para ter o apoio bolsonarista na sua eleição. E que agora não apoia Wilder. Apoia Daniel para governador.
Assim sendo, Daniel ficaria com Márcio Corrêa em Anápolis. E Marconi, com a Roberto Naves. E todos com Ronaldo Caiado Presidente.
Naves sempre esteve mais próximo de Caiado. Integrou o governo dele, depois que entregou a prefeitura para Márcio.
Marconi não teria dificuldade em reorganizar o discurso de referência a Caiado. Já foram aliados. E a candidatura a presidente funcionaria como razão superior: para o bem do Estado.
Inusitado, mas caminho aberto.
Mais difícil seria para Caiado quebrar a modulação das palavras contra Marconi.
Fora as mágoas passadas e não esquecidas. Fatores que influenciaram na trava da negociação.
Embora não seja impossível imaginar os dois no mesmo palanque de Flávio em um 2º turno em Goiás para presidente.
Caso Caiado não vá – e cumpra sua palavra sobre apoiar Flávio. E caso Marconi confirme o que apontou, indo ou não indo para a outra fase como candidato.
A declaração recente de Marconi pode ser lida como um reposicionamento. Sem fechar porta. A declaração de Caiado no sábado, no encontro da base, foi mais taxativa. Referiu-se a Marconi como adversário que “anda de camburão”. Sinais. Sinais.
O PSDB mantém diálogo com o Republicanos. O sonho não acabou.
O partido pode indicar candidatos ao Senado. Ou a vice de Marconi. A luta continua, enquanto as forças contrárias de Daniel Vilela agem.
