O governo dos Estados Unidos pode anunciar ainda hoje a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros importados. O prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) vence nesta quarta-feira (15), e as negociações entre os dois países não avançaram nos pontos mais sensíveis.
Os americanos utilizam a Seção 301 de sua lei comercial; o mesmo instrumento usado contra a China na guerra comercial do primeiro mandato de Trump, para alegar que o Brasil mantém práticas desleais. Entre elas, barreiras ao comércio digital, proteção insuficiente à propriedade intelectual, restrições ao etanol americano e falta de combate ao desmatamento ilegal.
O governo brasileiro rechaça as acusações. O chanceler Mauro Vieira afirmou que a imposição de tarifas “oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados“.
Etanol e Pix no centro do impasse
Dois temas travaram as conversas. O primeiro é o Pix: os EUA querem que o sistema de pagamentos brasileiro seja aberto à “concorrência internacional“, o que o governo Lula rejeita. O segundo é o etanol: os americanos querem acesso facilitado ao mercado brasileiro, mas o Brasil condiciona qualquer negociação à retirada da sobretaxa de quase 100% que os EUA impõem ao açúcar brasileiro.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, foi claro: “O governo vem defendendo que o etanol não seja tratado nessa discussão. Nosso açúcar tem sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Não dá para dissociar as duas cadeias”.
O que muda
Um tarifaço de 25% pode redirecionar fluxos comerciais, reduzir exportações brasileiras e gerar retaliação. Se suspenso, o status quo se mantém, mas o impasse de fundo permanece.
A decisão americana é esperada para hoje. Não há declarações oficiais sobre a possibilidade de nova prorrogação do prazo.
