Gianni Infantino abriu uma discussão que promete movimentar o futebol nos próximos anos. Mal a Copa do Mundo com 48 seleções mostrou seus primeiros resultados, e a Fifa já admite estudar uma nova ampliação: 64 participantes a partir de 2030.
Os críticos enxergam um risco evidente. Quanto maior o torneio, maior a possibilidade de jogos tecnicamente desequilibrados, calendário ainda mais longo e perda da exclusividade que sempre cercou o Mundial. Durante décadas, classificar-se para uma Copa representava um prêmio reservado aos melhores.
Mas há o outro lado da história. O futebol mudou. A distância entre os chamados gigantes e as seleções emergentes diminuiu significativamente. Nesta Copa, equipes africanas, asiáticas e da Concacaf mostraram competitividade, conquistaram pontos importantes e quebraram paradigmas históricos. O mapa do futebol deixou de ser desenhado apenas entre Europa e América do Sul.
Infantino sabe disso. Quando defende mais vagas, não está pensando apenas em audiência ou receitas comerciais. Está olhando para um efeito em cadeia. Quando um país acredita que pode disputar uma Copa do Mundo, passa a investir em categorias de base, centros de treinamento, formação de técnicos e infraestrutura. O sonho movimenta economias e acelera o desenvolvimento esportivo.
Naturalmente, existe um limite. Se toda seleção puder disputar o Mundial com facilidade, a classificação perde parte do seu valor simbólico. O grande desafio da Fifa será justamente encontrar esse ponto de equilíbrio entre inclusão e excelência.
Há também um componente político. Uma Copa com 64 seleções amplia o protagonismo de federações menores, fortalece a influência da Fifa em todos os continentes e distribui mais recursos entre as associações nacionais. Não por acaso, a proposta desperta interesse muito além das quatro linhas.
O Mundial de 2030, que será disputado em três continentes e seis países, já nasce como uma celebração global do futebol. Se vier acompanhado de uma nova expansão, poderá representar o início de uma nova era: menos concentrada nos velhos centros de poder e mais parecida com o próprio planeta.
No fim das contas, a pergunta não é se cabem 64 seleções. A verdadeira questão é outra: a Copa do Mundo deve continuar premiando apenas os melhores ou também servir para fazer nascer novos protagonistas?
Como quase tudo no futebol, essa resposta será dada dentro de campo.
