No encontro em Brasília nesta quarta, 8, Adriana Accorsi disse a Lula que “não é não”?
A questão é de ordem interna, da base lulista em Goiás. Ecoa a nota em que ela reafirmou em público não ser definitivamente candidata a governadora de Goiás.
A nota foi dura e pegou todos de surpresa. Nela, Adriana denuncia “grupos de homens”, “dirigentes partidários”, que a estariam pressionando. E aponta para uma séria questão de gênero dentro da estrutura que integra.
LEIA MAIS AQUI
O encontro de Adriana Accorsi (PT) e Aava Santiago (PSB) com Lula é questão básica da política.
Lula chamou Adriana e Aava para fazer pressão política.
Não por ser mulheres. Mas por serem as presidentes dos dois maiores partidos de sua base em Goiás, onde ele quer palanque para sua reeleição.
Adriana Accorsi preside o PT. Aava Santiago é a presidente do PSB. As duas são as que melhor pontuam nas pesquisas.
Com elas na cabeça de chapa, há vida eleitoral. Sem elas, o deserto engole o cerrado da chamada esquerda progressista.
Não há meias palavras na conversa.
Lula quer Adriana para o governo, Aava para o Senado.
E aí, o que elas dizem?
Para Adriana e Aava, questão pessoal escolherem o que querem. Para Lula e os grupos que as sustentam, a causa é maior.
O exemplo sempre citado: em São Paulo, Fernando Haddad escolheu atender ao chamado de Lula e do PT. Em Goiás, Adriana, não.
Se não for Adriana a candidata, se Aava não topar, como fica a chapa de Lula em Goiás?
E aí, o que as duas presidentes vão fazer?
Nos bastidores, o jogo é de empurra-empurra.
Petistas que querem ser candidatos a deputado federal empurram Adriana para governadora, de olho em mais uma chance de mandato sem ela na disputa.
Aava também empurra qualquer definição para o PT e para Adriana, mirando a candidatura a deputada federal.
Adriana empurra a indicação ao governo, porque quer a reeleição para deputada federal.
Lula empurra o problema para as duas.
Para as legítimas presidentes do PT e do PSB.
Para as duas mulheres que andam a lhe dizer não – uma em público e a outra nos bastidores.
E, com o encontro com ambas em Brasília na quarta, 8, deixou claro: a solução Luis Cesar Bueno como candidato ao governo, votada dias antes, não é solução.
Luis Cesar não estava presente no encontro com Lula e não está na foto divulgada.
Não há como o nome do Luis de Goiás vingar sem ser resolvido um pequeno detalhe: combinar com o Luiz de Brasília.
Na segunda, 6, em entrevista à rádio Difusora, Delúbio Soares – pré-candidato a deputado federal e no centro do debate dentro do PT – disse: o desejo dos petistas e progressistas sempre foi Adriana governadora e Aava senadora. Só ouvir.
Quem torce para Adriana e Aava serem candidatas, hoje, é Marconi Perillo (PSDB).
Nos cálculos marconistas, com Adriana candidata a governadora, a eleição vai definitivamente para o 2º turno. No 2º turno, ele leva.
O governador Daniel Vilela (MDB), ao contrário, torce por mais confusão pelos lados de Lula, e que Adriana não seja candidata ao governo. Sem ela, a chance dele resolver a eleição no 1º turno aumenta.
Cálculos de campanha.
Nas contas de Lula, entra o ingrediente: não ter candidato minimamente competitivo em Goiás é ruim pra ele e bom pra Caiado candidato a presidente.
As questões de gênero não podem ficar impunes. Precisam ser denunciadas, apuradas e combatidas com CPF e CNPJ partidário. Responsabilidade de todos. Dever geral.
Adriana e Aava têm uma questão política e eleitoral pra resolver. Com Lula e os seus.
Sim, sim? Não, não?
