Trago aqui o bate-papo com uma danada de discussão curiosa de outro dia.
Candidatos a governador de Goiás, Wilder Morais (PL) tem o que falta a Marconi Perillo (PSDB), e Marconi, o que Wilder não tem.
Wilder tem o bolsonarismo, um público focado e capaz de alavancar qualquer candidatura.
Qualquer uma. Fez do desconhecido Fred Rodrigues um dos protagonistas da eleição passada para prefeito de Goiânia.
O que Wilder não tem: a disposição, a determinação e o conhecimento que Marconi tem no e do interior do Estado.
E exatamente o que tel sido cobrado dele pelo partido. Falta de campanha. Ele é menos candidato a governador que sua vice, Ana Paula Rezende.
Wilder é mais bolsonarismo. Marconi é mais nome.
O argumento em contrário a isto como vantagem para o tucano é Wilder não ser tão conhecido quanto Marconi, o que significa dizer que não carrega igual rejeição. Ponto para Wilder.
Porém ser senador e não ser conhecido no Estado só é vantagem quando usado como base para um trabalho de construção de imagem gradual e consistente. Fazer do nada um tudo de bom. Não é o caso de Wilder. Nunca foi.
A estratégia de gestão de imagem de Wilder tem método e forma: não fazer nada. Deixar rolar. Chamar os amigos para beber e conversar na Toca da Orca, cuidar das relações políticas no barco em Brasília e bem viver.
Wilder tenta lustrar o currículo da pouca imagem política com uma inusitada distribuição de livro. Inusitada porque não combina com sua trajetória, não bate com suas pautas no Congresso, não tem cara-craxá no público e no privado.
Sem respaldo na realidade, é fogo-fátuo, coisa que não pega. Wilder leitor? Wilder educador? Wilder intelectual? Quem quiser, que compre.
A empreitada de fazer Wilder um distribuidor contumaz de emendas aos municípios é outra dureza. Nessa obra de marketing, ele concorre sem licitação de opinião pública com outro senador, Vanderlan Cardoso (PSD).
E vamos reconhecer. Concorre ainda com Jorge Kajuru (PSB), que tentou e não logrou vender a mesma ideia de si. Vanderlan tenta a reeleição. Kajuru, nem isso.
O efeito desses discursos e recursos de comunicação aérea (não há chão que as sustente) é no mínimo questionável. Definitivamente, não é o que faz de Wilder um bom candidato a governador.
Marconi se vender como tocador de obra, tem base. Pode remetê-lo ao passado, ao atraso. Mas também lhe dá impulso como verdade histórica. Lembra seus quatro governos em Goiás.
Isso, para se ter um paralelo entre os dois.
A ideia-base inicial põe:
1
Marconi como nome forte mas sem uma base capaz de jogá-lo acima do teto apontado hoje pelas pesquisas. Os índices atuais são suficientes para colocá-lo à frente de Wilder, porém insuficientes para avançar sobre a liderança de Daniel. (Cenário de momento, sempre bom lembrar.)
2
Wilder como candidato fraco com base forte. Pode ser jogado para cima de uma hora para outra, mas com destino incerto: mais para perder as asas e cair do que para voar até a vitória.
Juntar um e outro é arte difícil para as manhas políticas de Goiás.
Wilder está mais para Ronaldo Caiado (PSD) do que para uma aproximação com Marconi. Corrobora com isso o fato de que, na eleição nacional deste ano, os caminhos de Caiado e Wilder se cruzam.
Inclusive criando expectativas de plot twist na eleição goiana, como a esperança de que ainda podem se juntar no 1º turno. As especulação escalam nesse nível.
E 2º turno é 2º turno de negociações. Quem vai? E se vão os dois? Se tiver 2º turno.
Paro este texto por aqui. Porque o cenário de sua premissa é gravidez de risco. Carrega muitas pontas soltas.
Fico na curiosidade que o sustenta em princípio.
Foi na divisão de forças que, em 1994, os líderes de oposição Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado perderam para o candidato do governo, Maguito Vilela (MDB), que vem a ser o pai do agora governador Daniel, pré-candidato à reeleição.
E foi na união, quatro anos depois, que essa oposição, unida em torno de um nome só, venceu Iris Rezende. O nome do tempo novo em 1998? Marconi Perillo.
