O que menos tem nas redes sociais é gente do povo, cidadão de boa, defendendo suas ideias e candidatos.
O que mais tem é militante dando piti e xingando. Triste. Mas tá engraçado. Terrível. Mas sintomático.
Em vez de ir ganhar a eleição, preferem perder na defesa de sua razão. Irracionalidade pura.
E nem todos são cidadãos de bem. Tá cheio de cidadão robô.
Estão roubando o diálogo, o debate e as divergências que tão bem favorecem a dialética eleitoral.
Em vez de oposição, sobra mimimi. Em lugar de convencimento, tem o básico dos novos tempos: o taca-lhe o pau!
Se você, paciente leitor, está só vendo os posts políticos e não está acompanhando os comentários, não sabe o que está perdendo. Vai lá. Corre. Divirta-se.
Essa é uma das demonstrações mais claras da incompetência de uma campanha.
Em vez de focar no esclarecimento, na promoção de sua pauta e na apresentação de seu candidato, o tempo e a atenção do eleitor são desperdiçados com bala, cuspe e bílis.
São os novos tempos. A nova ordem política que chegou com os ventos dos anos recentes. O argumento deu lugar ao excremento.
Falar é fácil. E agora, falar para milhões de seguidores está a um clique – de milhões de reais, mas a um clique.
Além de militância irracional, tudo contribui para a ascensão e prevalência dos políticos iguais.
Porque não é necessário pensar. Basta pagar e levar os comentaristas contratados ao delírio convulsivo da internet.
Lembra dos tempos em que se dizia que é conversando que a gente se entende? Já era. A conversa morreu de morte curtida.
