Dois meses após ser atingida por 15 facadas dentro da própria residência, Alana Anísio Rosa, de 20 anos, pronunciou-se publicamente pela primeira vez sobre o crime. Em vídeo divulgado no último domingo (5), a jovem desabafou sobre a insegurança sistêmica enfrentada pelas mulheres e cobrou rigor na punição do agressor. O caso, ocorrido em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, terá sua primeira audiência de instrução e julgamento marcada para o próximo dia 15.
Alana sobreviveu a um ataque brutal em fevereiro, quando Luiz Felipe Sampaio invadiu sua casa. O crime teria sido motivado pela recusa da jovem em iniciar um relacionamento com o agressor. “O que aconteceu comigo não pode, não deve ser esquecido”, afirmou Alana. Em seu relato, ela destacou que a violência ocorreu no ambiente que deveria ser seu refúgio: “Nós, mulheres, não estamos seguras na rua, no trabalho, na academia e nem na nossa própria casa”.
O histórico de perseguição
As investigações e os relatos da família apontam que o crime foi o desfecho de um período de perseguição (stalking). Luiz Felipe conheceu Alana em uma academia e passou meses enviando flores e presentes de forma anônima. Mesmo após Alana rejeitá-lo de maneira educada via mensagens — registradas em capturas de tela anexadas ao processo —, o homem insistiu nas investidas até a invasão do domicílio no bairro Galo Branco, em 6 de fevereiro.
O agressor foi preso em flagrante e permanece sob custódia na Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli. A defesa da vítima e seus familiares mobilizam as redes sociais em busca de justiça, utilizando o caso como um alerta para a gravidade da violência de gênero.
Planos para o futuro
A sobrevivência de Alana é considerada um milagre pela equipe médica do Hospital e Clínica de São Gonçalo. Durante quase um mês de internação, a jovem enfrentou o coma induzido, respirou por aparelhos e passou por cirurgias complexas. A alta hospitalar, ocorrida em março, foi celebrada com aplausos e uma carta da equipe de saúde, que definiu o momento como “a prova de que a vida é mais forte que a violência”.
Agora, enquanto aguarda o desenrolar jurídico do caso no Fórum de Alcântara, Alana foca em sua recuperação física e psicológica. O sonho de cursar Medicina, interrompido pelo ataque, continua sendo o principal objetivo da jovem para o futuro.
*Com informações do G1
