O olhar sobre Daniel já está mudando. E isso faz parte da liturgia do poder.
Nos primeiros eventos e nos contatos que tem feito com integrantes do governo e público externo, a solenidade com que é tratado sai do eventual para o institucional e solene.
Essa aura pertence ao cargo. E tem importância em muitos sentidos. O que representa é o que mais importa.
Representa o poder constituído. Significa que está ali alguém representativo não apenas de si mesmo, mas de um grupo, um povo, um Estado.
O valor dessa posição é imensurável. Se bem conduzida, essa nova personalização de força social pode promover transformações reais e positivas para muitos cidadãos.
O espírito público instituído é motor de progresso, de pertencimento comunitário, de posicionamento histórico. O espírito público é a soma e a alma da gente no meio da gente.
Daniel é o governador. Não é só Daniel.
Esse novo ordenamento de governança também imprime uma nova visão sobre o futuro de Goiás e do próprio governante.
Naturalmente, ele passa a ser mirado como alvo de julgamentos e escrutínios constantes.
Será capaz de nos governar – e de nos governar bem?
Terá habilidade necessária e suficiente para contornar as armadilhas que virão e se tornar relevante no tempo?
Conseguirá superar as torcidas contrárias, os ataques e contra-ataques dos adversários, o fogo amigo e se reeleger?
A partir de onde está, Daniel Vilela não é mais o mesmo desde o momento em que recebeu a faixa de governador.
Ele entender isso tem mais importância do que a população perceber que ele é, na verdade. Porque é dele que será emanada a mensagem definidora de quem quer que ele seja – na verdade.
Daniel é jovem, vem se preparando, e já mostrou que não está igual ao Daniel que disputou o governo e perdeu para Ronaldo Caiado em 2018.
Daniel tem mostrado – nas tomadas de decisão iniciais (adesão ao subsídio do diesel, proposto pelo governo federal), nas entrevistas (fala com calma e de forma clara sobre medidas que vem tomando), nos cuidados com as cerimoniais reverências do sacerdócio governamental (reuniões pontuais com equipe e idas a órgãos, deferência a Maguito, seu pai, mas também a Iris Rezende, no discurso de posse) –, que tem propósito e tem disposição para alcançá-lo.
Quem o subestima, não enxerga o que ele não esconde: em vez de deslumbramento, ele transparece o que adquiriu de repente: poder.
E por que entender isso importa?
Daniel Vilela tem o poder nas mãos. Não abrirá mão de Goiás. É tomar ou largar.
Jogo jogado, jogo pesado.
