O mote da campanha do governo de Goiás é: todos achavam que era impossível; o governo foi lá e fez. O mote pode muito bem ser aplicado a Caiado e sua persistência em disputar o governo.
Muita gente, talvez a grande maioria, achava que era um sonho impossível – e não é que ele foi lá e tal?
Não é candidato ainda. Bom ressaltar. Mas agora Caiado é o pré-candidato de um partido representativo e com um propósito que tem escora na realidade das pesquisas: um terceiro nome.
Uma terceira via? Pode ser dito isso, na visão do que se tornou a terceira via: uma alternativa à polarização.
No discurso de anúncio de seu nome nesta segunda, 29, ele enfatizou isso: o Brasil é maior que lulismo versus bolsonarismo, esquerda versus direita.
Falou e apontou para direita e centro ao mesmo tempo.
Da ponta direita – onde se formou político e milita há décadas, desde a UDR (União Democrática Ruralista) –, Caiado mira o eleitorado que reside no lugar de conforto do PSD, e que pode decidir a eleição, segundo pesquisas e analistas: o que está no meio da guerra de lado a lado.
Calibrar discurso, posicionamento e campanha. Achar o ponto certo da fala e da ação. Este é o desafio.
No anúncio de seu nome, nesta segunda, 29, ele fez as duas coisas.
Ao acenar com respeito às regras, defesa dos mecanismos institucionais da sociedade, e mostrar uma prática democrática a Bolsonaro, Caiado está dizendo que podem confiar nele.
E ao anunciar anistia ao ex-presidente e aos condenados do 8 de Janeiro como estratégia de apaziguamento do País, caso seja eleito, ele grita: bolsonaristas, “#tamojuntoemisturados”.
Mais ao centro, sem deixar de ser direita, Caiado pode competir diretamente não com Lula, mas com Flávio Bolsonaro (PL) pela percepção e os votos potenciais que estão ali.
E a eleição agora será contra Flávio, antes de ser com Lula.
Porque Caiado precisa crescer nas intenções de voto. E não vai crescer atraindo o eleitorado progressista (possível, porém mais difícil, ao menos de início).
O caminho é prático e pragmático: desmanchar o ninho bolsonarista. E conquistar eleitores que se identificam – ou se identifiquem – com o que prega e quem ele é.
Mano a mano, Caiado tem a seu favor a história pessoal (médico, homem do agro, gestor com dois governos e uma aprovação de 88% que o avalizam), o fator confiança dos conservadores, e estatura política (pra resumir).
Mano a mano, Caiado pode ser o eixo de sustentação do público (Faria Lima e que tais) que não quer Lula de novo.
Não será tarefa fácil sair de 4 pontos porcentuais nas pesquisas para um espaço de disputa verdadeiro da eleição.
Não será fácil passar pelo corredor polonês dos escrutinamentos rituais de candidaturas majoritárias nacional. Um fogo vulcânico que, quanto pior está (nas redes, nas ruas, na imprensa, nos palanques), pior fica.
Para muitos, algo impossível.
Mas não era impossível ele chegar até aqui?
Não pareceu menos impossível, lembremos, quando ele decidiu trocar o União Brasil pelo PSD de Gilberto Kassab, que dispensa adjetivos e definições?
Era impossível e ele foi lá e se fez candidato por um partido com força para bancar seu sonho, sua nova realidade.
Passo a passo, Caiado fez por merecer a pré-candidatura a presidente. Fato.
