O Banco Central (BC) continua desenvolvendo a agenda evolutiva do PIX e prepara novidades para a ferramenta de transferências em tempo real. Inaugurada em 2020, a plataforma planeja as seguintes melhorias:
Cobrança Híbrida: o BC incluirá no regulamento do PIX a possibilidade de pagamento, via QR code, de uma cobrança que também permite pagamento por boleto. Atualmente facultativa, a novidade se tornará obrigatória a partir de novembro deste ano.
Duplicata: a nova funcionalidade permitirá o pagamento de duplicatas escriturais (títulos de crédito) pelo PIX, facilitando a antecipação de recebíveis com informações em tempo real e reduzindo custos operacionais. O objetivo é que sirva de alternativa aos boletos bancários.
Split tributário: o BC adequará a ferramenta até o fim do ano ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que a Receita Federal desenvolve no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. A partir de 2027, a CBS (tributo federal sobre o consumo) será paga no ato da compra eletrônica.
PIX internacional (previsto para 2027, dependendo de recursos): o BC avalia que o formato atual de utilização do PIX em outros países – como Argentina, EUA (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa) – é “parcial”, focado em estabelecimentos específicos. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva entre países no futuro, interligando sistemas de pagamento instantâneos.
PIX em garantia: será um tipo de crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A proposta permite que esses trabalhadores deem como garantia de empréstimos bancários seus “recebíveis futuros” – transferências que receberão pelo PIX –, possibilitando a liberação de recursos e juros mais acessíveis.
PIX por aproximação (modelo offline): a ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo quando o usuário não estiver com o dispositivo conectado à rede (Wi-Fi ou 5G).
O Banco Central também discute o lançamento futuro das regras para o PIX Parcelado, uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. Embora instituições financeiras já ofertem o parcelamento por PIX como linha de crédito formal, o BC quer padronizar as regras – o que tende a favorecer a competição entre os bancos e a queda dos juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.
Números do PIX: a ferramenta registrou R$ 35,36 trilhões em transferências em 2025, um novo recorde. Além do amplo uso pela população, a plataforma incluiu milhões de pessoas no sistema financeiro e estimulou a economia, especialmente em pequenos negócios presenciais ou digitais. Em novembro de 2025, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC, Renato Gomes, afirmou que o país estava próximo de ter toda a população adulta utilizando o PIX. “Muita gente não usava as contas que tinha. Depois do PIX, as pessoas perceberam a conveniência de pagar contas pelo celular e passaram, de fato, a usar suas contas“, disse.
Evolução nos últimos anos:
- PIX Cobrança: cumpre o papel do boleto, permitindo emissão e recebimento rápidos, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente.
- PIX Saque e PIX Troco: lojas e estabelecimentos passaram a funcionar como pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro e reduzindo custos para o comércio.
- PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas fixas, beneficiando empregadores, autônomos e profissionais liberais.
- PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, trouxe a experiência de pagamentos por contato físico, semelhante aos cartões por aproximação.
- PIX Automático: democratizou os pagamentos recorrentes, equivalente ao débito automático, antes concentrado em grandes instituições.
- Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais, permitindo iniciar pagamentos por diferentes plataformas, especialmente em compras online e via celular.
