O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso por feminicídio contra a esposa, a policial Gisele Alves Santana, obteve aposentadoria pela Polícia Militar de São Paulo. A portaria, publicada nesta quinta (2), concede-lhe vencimentos integrais proporcionais à idade (cerca de R$ 21 mil), mesmo sob custódia. O pedido partiu do próprio oficial.
A aposentadoria, no entanto, não o livra de um conselho de justificação que pode demiti-lo e cassar sua patente. A Secretaria da Segurança Pública autorizou a instauração do conselho a pedido do Comando da PM. O inquérito policial militar está em fase final, e o inquérito da Polícia Civil já foi enviado à Justiça.

A investigação da Polícia Civil apontou que o celular de Gisele foi manuseado e desbloqueado minutos após o tiro, e mensagens foram apagadas pelo marido. Dados recuperados mostram que, na noite anterior à morte, os dois trocaram mensagens sobre divórcio. A última mensagem de Gisele, às 23h, dizia: “Pode entrar com pedido [de divórcio] essa semana”. O oficial apagou as conversas para sustentar que ele teria pedido a separação, e não a vítima.
Testemunhas relataram episódios de agressividade do tenente-coronel dentro do quartel, incluindo segurar Gisele pelos braços contra a parede e colocar as mãos em seu pescoço. O comportamento controlador e ciumento era percebido por colegas, que notavam que Gisele ficava calada e tensa na presença dele.
Laudos periciais e reprodução simulada indicam que o oficial segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio. Ele ainda teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio, o que configura fraude processual. Gravações de câmeras corporais mostram o embate entre um cabo que queria preservar o local e o tenente-coronel, que insistia em circular e permitir limpezas.
O Ministério Público pediu, em caso de condenação, indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima. A defesa nega o crime e questiona a competência da Justiça Militar. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de liberdade, e este é o primeiro caso desde 2015 de um oficial da PM paulista preso por feminicídio.
