O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) adotou uma nova linha de ataque nas redes sociais com foco na segurança pública do Estado. A investida mira a gestão de Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela (MDB) em uma das áreas de maior apelo popular — tema em que os indicadores de criminalidade apresentam diferenças significativas entre os períodos analisados.
Os indicadores oficiais apontam uma mudança considerável no cenário da segurança pública em Goiás ao longo dos últimos anos. Segundo o Atlas da Violência, o Estado registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios desde 2000, com 18,42 mortes por 100 mil habitantes. Em 2013, durante a gestão tucana, o índice chegou a 46,18 por 100 mil, patamar 150,7% superior ao registrado em 2024.
A redução também aparece nos crimes contra o patrimônio. Dados do Observatório de Segurança Pública mostram que os roubos de veículos caíram 95% entre 2018, último ano da gestão de Marconi, e 2025, passando de 10.105 para 508 ocorrências. No mesmo período, os roubos de carga recuaram 97%, enquanto os roubos a pedestres diminuíram 91% e os roubos em residências, 83%.
A segurança pública é atualmente o principal ativo de aprovação da atual gestão. Na pesquisa Genial/Quaest de julho, o setor sob comando de Daniel Vilela soma 70% de aprovação popular.
Ao escolher a segurança pública como um dos focos de suas críticas, Marconi coloca em evidência uma área que também marcou sua própria passagem pelo governo. O movimento traz de volta ao debate público a memória de episódios críticos do seu mandato, como as mortes cometidas pelo spree killer Tiago Henrique Rocha e a chacina do Bairro Cardoso 2, em Aparecida de Goiânia.
A fragilidade no combate à criminalidade pesou na imagem do grupo tucano, fator que contribuiu para as derrotas da chapa em 2018 e nas disputas ao Senado em 2018 e 2022.
A provável reação da base aliada deve ser a de focar na comparação direta dos dados estatísticos, com o objetivo de fixar a percepção de mudança estrutural na segurança do Estado e isolar a narrativa da oposição.
