A vereadora Aava Santiago (PSB) manifestou-se publicamente neste domingo (8) a respeito da ação judicial movida pelo seu antigo partido, o PSDB, que solicita a cassação de seu mandato por infidelidade partidária. O processo ocorre após a parlamentar ter migrado para o PSB em fevereiro, fora do período permitido pela janela partidária.
Em pronunciamento realizado nas redes sociais, Aava classificou a iniciativa como uma tentativa de silenciamento político articulada por uma ala específica da legenda tucana. Embora não tenha citado nomes diretamente em seu discurso, a publicação exibiu imagens de lideranças como o deputado estadual Gustavo Sebba (presidente estadual do PSDB), o jornalista Matheus Ribeiro (presidente do diretório municipal), o ex-governador Marconi Perillo e o suplente Michel Magul.
A tese da “palavra empenhada”
O ponto central da defesa de Aava reside em um suposto acordo político com Marconi Perillo, atual presidente nacional do PSDB. A vereadora admitiu ter consciência das restrições impostas pela legislação eleitoral vigente, que protege o mandato para o partido, mas alegou que sua saída foi negociada.
“Eu tinha uma coisa e me apeguei a ela: a palavra de Marconi Perillo, a quem eu reportei cada passo das conversas com outros partidos e de quem ouvi várias vezes que se empenharia para construir uma saída harmônica”, afirmou a parlamentar. Segundo ela, a decisão de deixar o PSDB ocorreu após 20 anos de militância, sob a justificativa de que a sigla se afastou de suas bandeiras ideológicas e não oferecia espaço para seu projeto de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Disparidade financeira
A vereadora também rebateu argumentos sobre o uso de recursos partidários. Segundo Aava, houve uma desproporção entre o investimento feito pelo partido e o retorno em votos nas últimas eleições. Ela comparou os R$ 50 mil recebidos do fundo eleitoral para sua campanha vitoriosa com os R$ 3 milhões destinados a Matheus Ribeiro, que não obteve êxito no pleito.
A parlamentar encerrou o pronunciamento afirmando que manterá sua atuação na Câmara Municipal de Goiânia enquanto aguarda o desfecho jurídico. A disputa agora segue para os tribunais eleitorais, que deverão analisar se o acordo político citado pela vereadora possui validade jurídica para sobrepor-se à norma de fidelidade partidária.






