A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), uma nova fase da Operação Contenção. O foco da ação é desarticular o braço financeiro e a estrutura de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV). Entre os principais alvos com mandados de prisão expedidos estão o rapper Oruam, sua mãe, Márcia Gama, e seu irmão, Lucca Nepomuceno.
A ofensiva, coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), busca cumprir 12 mandados de prisão preventiva. As investigações, que se estenderam por um ano, basearam-se na quebra de sigilo de dispositivos eletrônicos e no monitoramento de fluxos financeiros. Segundo a polícia, o esquema consistia na “pulverização” de capitais ilícitos oriundos do tráfico para contas de terceiros e a aquisição de bens de luxo, imóveis e estabelecimentos comerciais.
Estrutura
A delegada Iasminy Vergetti, responsável pelo caso, afirmou que a família de Marcinho VP — apontado como a liderança central da facção, mesmo encarcerado — desempenha papel ativo na gestão do patrimônio da organização. De acordo com o inquérito, enquanto o patriarca exerce a influência hierárquica, seus familiares atuariam na ocultação e reintegração dos valores ao mercado formal.
Oruam já era considerado foragido desde fevereiro de 2026. Na ocasião, o artista teve a prisão decretada após violar as regras do uso de tornozeleira eletrônica, acessório que utilizava em decorrência de um processo por tentativa de homicídio durante um incidente com policiais em 2025. Sua mãe, Márcia Gama, chegou a ter a prisão revogada por um habeas corpus no início deste mês, mas tornou-se alvo novamente diante de novos indícios apresentados nesta fase da operação.
Balanço
A Operação Contenção é a principal estratégia estadual para frear a expansão territorial da facção. Até o momento, o balanço acumulado da iniciativa contabiliza mais de 300 prisões e a apreensão de 190 fuzis. Nesta quarta, um homem identificado como operador financeiro do grupo já foi detido.
Em nota, a defesa de Oruam afirmou que ainda não teve acesso integral aos fundamentos do novo pedido de prisão. A defesa de Márcia Gama também informou que aguarda a análise dos autos para se manifestar sobre as acusações. O espaço segue aberto para os demais citados.
