A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), a Operação Falso Defensor, voltada a desarticular uma associação criminosa especializada no “golpe do falso advogado”. A ofensiva policial cumpriu 28 ordens judiciais, incluindo 14 mandados de prisão temporária e 14 de busca e apreensão domiciliar, concentrados em Fortaleza, Caucaia e Pacatuba, no Ceará.
As investigações, conduzidas com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e da Polícia Civil do Ceará, tiveram início após o relato de um servidor público goiano. A vítima sofreu um prejuízo financeiro superior a R$ 460 mil em um intervalo de apenas oito dias. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens dos investigados em valores que alcançam a marca de R$ 500 mil.
Estelionato eletrônico
O grupo operava de forma coordenada através de aplicativos de mensagens. Segundo o inquérito, os suspeitos entravam em contato com as vítimas passando-se por advogados de confiança ou representantes de escritórios conhecidos. O pretexto utilizado era a existência de supostos valores a receber referentes a processos judiciais ganhos.
Para conferir veracidade à abordagem, outros integrantes do grupo simulavam ser servidores públicos, utilizando linguagem técnica e apresentando documentos falsificados. Os golpistas afirmavam que, para a liberação do montante, era necessário o pagamento antecipado de taxas administrativas, custas processuais e tributos. Assim que as transferências eram efetuadas, os valores eram rapidamente pulverizados em diferentes contas bancárias.
Estrutura
A polícia identificou que a organização era dividida em três núcleos principais:
- Núcleo de Contato: Responsável pela abordagem inicial e convencimento das vítimas.
- Núcleo de Simulação: Focado na criação de documentos falsos e na personificação de autoridades.
- Núcleo Financeiro: Encarregado da movimentação e lavagem do dinheiro obtido de forma ilícita.
Os investigados, cujos nomes não foram revelados para não comprometer o andamento das diligências, devem responder pelos crimes de estelionato eletrônico, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A operação reforça o alerta para que cidadãos confirmem presencialmente ou por canais oficiais qualquer pedido de pagamento feito por advogados ou tribunais.






