A Albânia pode ceder parte de sua capital, Tirana, para a criação de um Estado muçulmano soberano, segundo plano divulgado pelo primeiro-ministro Edi Rama em 2024 e que ainda gera debate. Em março de 2026, o projeto está na fase de elaboração legislativa, sem votação parlamentar realizada. A proposta, politicamente sensível, visa preservar e promover a tolerância religiosa.
Caso passe pelo Congresso, a medida criará o menor país do mundo, superando o Vaticano. Segundo o New York Times, o território terá cerca de 100 mil m², enquanto a Santa Sé tem 440 mil m². A área fica em um complexo no leste de Tirana e pertence à Ordem Bektashi, corrente sufista conhecida por uma interpretação mais flexível do islamismo. O enclave funcionará nos moldes do Vaticano, com administração própria, passaportes e fronteiras, mas sem muros, polícia, exército ou impostos, apenas como um “estado espiritual“, segundo Rama.
O líder albanês afirmou que a criação do microestado busca desassociar o islamismo do extremismo. “Não deixem que o estigma dos muçulmanos defina quem são os muçulmanos“, declarou. O país permitirá o consumo de álcool, dará liberdade para as mulheres se vestirem como quiserem e não imporá regras de estilo de vida. O comando será do líder religioso Edmond Brahimaj (Baba Mondi), que promete governar com base em uma visão moderada: “Deus não proíbe nada; é por isso que nos deu mentes“.
A proposta enfrenta resistência na própria Albânia. A Comunidade Muçulmana da Albânia, que se diz a única representante oficial do Islã no país, classificou a iniciativa como “um precedente perigoso” e afirmou que não foi consultada. O pesquisador Besnik Sinani, ouvido pela Deutsche Welle em 2024, alertou que a medida pode perturbar o equilíbrio histórico entre religião e Estado e rotular a Albânia como “Estado islâmico”. A Ordem Bektashi, no entanto, sustenta que o projeto tem caráter exclusivamente espiritual.









