O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) emitiu uma recomendação para que a Câmara Municipal de Goiânia analise a suspensão parcial de seu concurso público. A medida foca especificamente no cargo de administrador, após a identificação de indícios que apontam para um possível conflito de interesses envolvendo o candidato aprovado em primeiro lugar na prova objetiva.
A orientação partiu da Secretaria de Controle Externo do tribunal e agora aguarda o posicionamento do conselheiro relator do processo. Caso a recomendação seja acatada, o certame para esta função ficará travado até que as investigações sejam concluídas. O ponto central da polêmica é o vínculo de Luã Lírio de Souza Cruz, primeiro colocado na disputa, com o Instituto Verbena, órgão da Universidade Federal de Goiás (UFG) responsável pela organização e aplicação das provas.
Órgão aponta possível conflito de interesses envolvendo primeiro colocado
De acordo com as apurações preliminares, Luã Lírio é servidor de carreira da UFG. Os registros analisados indicam que ele manteve atividades profissionais vinculadas ao Instituto Verbena em períodos muito próximos à aplicação do exame, realizado em março de 2026. Mesmo após ter sido cedido para outro órgão público, o candidato teria participado de processos internos da instituição organizadora meses antes da prova.
A situação gerou um alerta no Ministério Público de Goiás (MPGO), que também acompanha o caso. O órgão ministerial investiga se houve vantagem indevida ou acesso a informações privilegiadas que pudessem beneficiar o candidato em detrimento dos demais 34 mil inscritos no concurso. A investigação não se limita apenas ao primeiro colocado, uma vez que há suspeitas de que outros participantes aprovados também possuam algum grau de parentesco ou vínculo profissional com membros da banca examinadora.
Investigação pode resultar em anulação da área específica
Embora o concurso ofereça 62 vagas para diversas áreas com salários que superam R$ 10 mil, a crise atual está concentrada no posto de administrador. O Instituto Verbena se manifestou sobre o episódio afirmando que o candidato comunicou previamente a existência de um possível conflito. Segundo a banca, todas as medidas de segurança foram adotadas, incluindo o bloqueio de acessos aos sistemas do concurso e o afastamento de Luã de qualquer função ligada ao certame da Câmara.
Contudo, para os órgãos de controle, as medidas preventivas podem não ter sido suficientes para garantir a isonomia do processo seletivo. O TCM reforça que a transparência e a igualdade de condições são pilares fundamentais de qualquer concurso público. Até o momento, as demais áreas do concurso seguem com o cronograma mantido, mas o desfecho para o cargo de administrador depende agora da decisão final da Corte de Contas e do avanço do inquérito civil.
