A corrida global por terras raras ganhou um novo capítulo com a aquisição da mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), pela empresa americana USA Rare Earth. O negócio, avaliado em US$2,8 bilhões (quase R$14 bilhões), escancara o valor estratégico desses minerais no cenário internacional. Fora da Ásia, trata-se da única produção em larga escala de terras raras pesadas, como disprósio e térbio, elementos essenciais para tecnologias de ponta.
O movimento revela mais do que uma transação empresarial. É um sinal claro de disputa geopolítica por recursos considerados críticos para o futuro da economia global, especialmente na transição energética e digital. Ímãs de alta performance, motores de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos dependem diretamente desses elementos.
E é nesse contexto que Catalão entra no radar. Diferente de Minaçu, onde a riqueza já foi negociada no mercado internacional, Catalão busca outro caminho. A cidade abriga depósitos de classe mundial de terras raras leves, como cério, lantânio, neodímio e praseodímio, e trabalha para transformar esse potencial em desenvolvimento
tecnológico e industrial.
A estratégia é clara: não apenas extrair, mas agregar valor.
Em parceria com a Universidade Federal de Catalão (UFCat) e empresas do setor, o município se posiciona como um polo de pesquisa e inovação, com foco no processamento desses minerais e na produção de ímãs de alta potência. A ideia é evitar o velho modelo de exportação de matéria-prima bruta e avançar na cadeia produtiva, gerando empregos qualificados e tecnologia local.
O interesse internacional confirma esse potencial. Países como o Japão já demonstraram atenção à região, com visitas técnicas e possibilidade de cooperação. O Governo de Goiás também atua na atração de investimentos, com o objetivo de consolidar Catalão como a chamada “Capital Estadual das Terras Raras”.
Mas o desafio é grande. A história brasileira mostra que a riqueza mineral, por si só, não garante desenvolvimento. Sem planejamento, tecnologia e controle estratégico, o risco é repetir ciclos de exploração em que o valor agregado fica no exterior. O exemplo de Minaçu serve como alerta e também como oportunidade.
Catalão, ao apostar em ciência, parcerias e industrialização, tenta inverter essa lógica. Entre vender a riqueza e transformar a riqueza, está a diferença entre um território explorado e um território desenvolvido. A disputa pelas terras raras já começou e Goiás, ao que tudo indica, está no centro desse tabuleiro.
