O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar a possível participação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A inclusão do parlamentar ocorreu em 22 de julho, mas só se tornou pública na noite de quinta-feira (10/9), após Mendonça retirar o sigilo de parte dos procedimentos relacionados ao caso Banco Master. A medida amplia o alcance político da investigação, que também tem o ex-deputado Eduardo Bolsonaro entre os alvos.
Segundo os documentos divulgados, a apuração envolve um suposto repasse de R$ 61 milhões para custear a produção do filme. O dinheiro teria sido disponibilizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, é apontado como possível beneficiário de parte dos recursos.
Crimes investigados
O inquérito foi instaurado a pedido da Polícia Federal (PF), com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Os investigadores apuram possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento da produção cinematográfica.
A existência da investigação tornou-se conhecida depois que Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos derivados da Operação Compliance Zero. A operação apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e corrupção envolvendo agentes públicos, Vorcaro e integrantes de seu grupo.
Apesar da divulgação dos documentos que autorizaram a abertura do inquérito, o conteúdo integral da investigação permanece sob sigilo. Também continuam protegidas as diligências relacionadas ao Banco Master e ao filme Dark Horse.
Fachin pediu publicidade dos documentos
A retirada parcial do sigilo ocorreu após solicitação do presidente do STF, Edson Fachin. O ministro defendeu a publicidade dos documentos relacionados ao caso Master, com exceção das diligências cuja preservação fosse necessária para o andamento das investigações.
Na quarta-feira (9/9), Mendonça também homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele é apontado como responsável pela realização de repasses em dinheiro vivo relacionados ao financiamento do filme.
A ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou repercussão após a divulgação de áudios nos quais o senador aparece solicitando recursos ao ex-banqueiro para a produção de Dark Horse.
Flávio não negou a autenticidade das gravações. O parlamentar sustenta que não houve irregularidade na busca por recursos privados para financiar uma obra sobre o pai.
Segundo a Agência Brasil, a defesa do senador ainda não havia apresentado manifestação sobre a abertura do inquérito até a publicação da reportagem original. O próximo ponto de atenção será o avanço das diligências mantidas sob sigilo e uma eventual manifestação dos investigados.
