A Universidade Federal de Goiás (UFG) oficializou a demissão do professor Victor Rezende Moreira Couto, que atuava na Faculdade de Veterinária. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, é o desdobramento de um processo administrativo disciplinar instaurado após seis alunas e ex-alunas relatarem episódios de assédio e abuso sexual envolvendo o docente.
De acordo com o documento oficial, a punição foi fundamentada na violação de deveres funcionais e no uso do cargo público para obter proveito pessoal, ferindo a dignidade da função exercida na instituição. Embora a demissão encerre o vínculo administrativo do professor com a universidade, o caso continua sob investigação na esfera criminal pela Polícia Civil.
As denúncias ganharam corpo em 2023, quando um grupo de estudantes se uniu para levar as queixas à administração superior. No entanto, o relato mais antigo remonta a 2017. Uma ex-estudante descreveu comportamentos que extrapolavam a relação profissional, incluindo toques indesejados e convites de cunho sexual durante atividades acadêmicas fora do campus. Segundo o depoimento, o docente teria sugerido uma ida a um motel enquanto retornavam de uma atividade na fazenda escola da universidade.
A defesa das vítimas, conduzida pela advogada Patricia Zapponi, de uma organização voltada ao amparo de mulheres, destaca que o professor utilizava sua posição de poder e influência no mercado de trabalho para intimidar as alunas. Relatos indicam que ele condicionava oportunidades profissionais à aceitação das investidas, afirmando que o setor veterinário era um ambiente majoritariamente masculino onde ele detinha grande prestígio.
O impacto psicológico sobre as vítimas também foi registrado no processo. Uma das estudantes relatou sentimentos de culpa e confusão, comuns em casos onde há assimetria de poder. Para a assistência jurídica das alunas, a exoneração é um passo fundamental para o reconhecimento do dano causado e para a progressão das investigações criminais.
Até o momento, a UFG informou que aguarda a notificação formal do Ministério da Educação para se manifestar detalhadamente sobre a devolução do processo.




