A Comissão Mista da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) suspendeu a tramitação do projeto de lei do Executivo que cria o Pequi Bank. O movimento, liderado por parlamentares da oposição, interrompe o fluxo de uma pauta prioritária da Governadoria e expõe a necessidade de refinar a articulação da base aliada diante de projetos de forte apelo institucional.
Contexto
A proposta (nº 9501/26), defendida pelo governador Daniel Vilela (MDB), visa instituir uma plataforma digital integrada de serviços financeiros voltada a servidores e beneficiários de programas sociais, operada por meio de parceria com o ecossistema privado e sem aporte financeiro do Estado. A tramitação foi paralisada após pedidos de vista dos deputados Antônio Gomide (PT) e Major Araújo (PL), que demandam a realização de audiências públicas para ampliar o debate com a sociedade.
Leitura de poder
O recuo estratégico conduzido pelo líder do Governo, Talles Barreto (UB), ao se comprometer a trazer a secretária de Economia, Renata Lacerda Noleto, para dar explicações imediatas ao Legislativo, sinaliza o esforço do Palácio das Esmeraldas em evitar uma paralisia prolongada da matéria. A oposição ganha protagonismo temporário ao pautar o ritmo do debate, testando o peso e a velocidade de resposta da coalizão governista dentro da Comissão Mista.
Evidências
A agenda da Comissão Mista refletiu outras movimentações estratégicas de poder e interesse corporativo:
- Vitória do Legislativo: O colegiado aprovou o projeto do presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB), que revoga a proibição de advogados exercerem a profissão quando investidos como conselheiros de julgamento administrativo tributário. A medida neutraliza o que Peixoto classificou como restrição inconstitucional e restabelece prerrogativas da categoria.
- Segurança Pública: A proposta que obriga agressores a arcarem com os custos de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência doméstica retornou para a análise da liderança do Governo após emendas do bloco de oposição, estendendo o impasse técnico sobre a matéria.
Consequências
O adiamento do Pequi Bank posterga a implementação de uma vitrine digital desenhada para gerar impacto público e capilaridade junto a microempreendedores e vulneráveis. No plano político, a resistência força o Executivo a abrir os critérios técnicos do modelo de negócios da plataforma para assegurar a coesão de sua base e evitar ruídos na reputação do projeto.
Próximo movimento
O ponto central de atenção se desloca para a reunião com a secretária Renata Lacerda Noleto. O alinhamento técnico e a capacidade de convencimento do governo determinarão se o projeto do Pequi Bank retoma o ritmo de urgência ou se será condicionado ao calendário de audiências públicas exigido pela oposição.
*Com informações da Agência Assembleia de Notícias
