O basquete brasileiro e mundial perderam Oscar Schmidt nesta sexta-feira (17). O ex-jogador, de 68 anos, faleceu em Santana do Parnaíba, Grande São Paulo, após um mal súbito que o levou ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Alphaville. A família optou por não divulgar a causa do óbito e realizará as cerimônias de despedida em âmbito reservado.
Em comunicado oficial, os familiares exaltaram a coragem do ídolo durante mais de 15 anos de luta contra um tumor cerebral e destacaram o legado que ele deixa para o esporte e para a vida.
“Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo”, diz a nota, que também solicita privacidade neste momento de luto.
Homenagem recente e luta pela saúde
No dia 8 de abril, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) incluiu Oscar Schmidt no Hall da Fama da entidade, em cerimônia no Rio de Janeiro. O ex-atleta não pôde comparecer porque se recuperava de um procedimento cirúrgico. Seu filho, Felipe Schmidt, recebeu a honraria e discursou sobre a emoção de representar o pai: “Estar aqui para receber essa homenagem é o último capítulo de uma carreira cheia de vitórias“. Na ocasião, Felipe preferiu não detalhar a cirurgia, mas assegurou que Oscar estava bem, “só um pouco cansado“.
Desde o diagnóstico de um tumor cerebral em 2011, Oscar enfrentou cirurgias e tratamentos. Em 2022, chegou a anunciar que interrompera a quimioterapia por conta própria, mas depois esclareceu a informação e afirmou estar curado.
Do sonho no futebol ao “Mão Santa” do basquete
Nascido em Natal (RN) em 16 de fevereiro de 1958, Oscar Daniel Bezerra Schmidt sonhava com os gramados, mas a altura de 2,05m o empurrou para as quadras. Começou no Colégio Salesiano de Brasília e depois no Clube Unidade Vizinhança. Aos 16 anos, já integrava as categorias de base do Palmeiras em São Paulo.
A convocação para a seleção brasileira não tardou, e o técnico Cláudio Mortari o levou para o Sírio, onde conquistou o Mundial de Clubes em 1979. Na década seguinte, brilhou no basquete italiano defendendo o JuveCaserta por 11 temporadas, época em que a liga da Itália rivalizava em prestígio com a NBA.
Olimpíadas e a recusa à NBA
Oscar disputou cinco Jogos Olímpicos consecutivos (1980 a 1996) e acumulou 1.093 pontos, tornando-se o maior cestinha da história olímpica. Em 1987, comandou a seleção na conquista do ouro no Pan-Americano de Indianápolis, vencendo os Estados Unidos na decisão.
Apesar de ter sido escolhido no draft pelo New Jersey Nets em 1984 e de receber outras propostas posteriormente, recusou a NBA para preservar o direito de defender o Brasil, na época, atletas da liga americana não podiam atuar por suas seleções nacionais.
Números superlativos e títulos
Ao longo da carreira, Oscar marcou 49.737 pontos, marca que o manteve como maior pontuador do basquete mundial até 2024, quando LeBron James o ultrapassou por apenas 23 pontos. Pela seleção brasileira, anotou 7.693 pontos, recorde absoluto até hoje.
Conquistou oito títulos nacionais no Brasil, três Sul-Americanos, duas Copas América e um Pan-Americano. Em 2013, a NBA o introduziu em seu Hall da Fama, honraria rara para um atleta que nunca atuou oficialmente na liga.
Família e legado eterno
Oscar Schmidt era irmão do apresentador Tadeu Schmidt e tio do campeão olímpico de vôlei de praia Bruno Schmidt. Seu nome figura entre os 100 maiores da história do basquete em publicações internacionais, e sua história permanece como sinônimo de dedicação, talento e amor à camisa do Brasil.
