O Supremo Tribunal Federal (STF) deu 48 horas nesta quarta-feira (20) para a Câmara dos Deputados explicar a viagem do deputado Mário Frias (PL-SP) ao exterior, enquanto um oficial de Justiça acumula cinco tentativas frustradas de notificá-lo. Frias está nos Estados Unidos, depois de passar pelo Bahrein, e responde a uma apuração preliminar sobre R$ 2 milhões em emendas parlamentares que ele destinou ao Instituto Conhecer Brasil; entidade que mantém vínculos com a produtora Go Up Entertainment, encarregada das filmagens de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A representação que provocou a abertura da investigação partiu da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). O ministro Flávio Dino, relator do caso, determinou as buscas depois que o oficial de Justiça não conseguiu localizar o parlamentar. Na quarta-feira (13), a secretária do gabinete informou que Frias estava “em uma missão internacional” sem data de retorno. Na segunda-feira (18), o porteiro do prédio onde ele residia em Brasília disse que o deputado não mora ali há dois anos.
Em entrevista ao SBT News, Frias afirmou que foi ao Bahrein “propor investimentos no Brasil” e que agora prospecta “um investimento em segurança pública” nos Estados Unidos. “Eu tenho passagem de volta para o Brasil. Tenho uma filha de 14 anos no Brasil, a minha esposa está no Brasil. Não devo nada e estou pronto para prestar contas”, declarou.
O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Bolsonaro e ainda não estreou, veio à tona depois que o site The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para bancar a produção. O diálogo entre Flávio e Vorcaro aconteceu em novembro de 2025. Após a exposição do caso, o senador negou ter recebido qualquer vantagem indevida e sustentou que o dinheiro era privado.
Frias, que aparece como produtor-executivo do longa, defende-se das acusações com um parecer da Advocacia da Câmara que, segundo ele, comprova a regularidade das emendas.
