Um levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Dieese revelou quantas horas um trabalhador precisa dedicar por mês para comprar os itens da cesta básica em cada capital brasileira.
O relatório de fevereiro aponta que São Paulo lidera o ranking, com 115 horas e 45 minutos de trabalho necessários para adquirir a cesta. Na sequência aparecem Rio de Janeiro (112h14) e Florianópolis (108h14). Goiânia ocupa a 10ª posição, com 99 horas e 16 minutos. Na outra ponta, Aracaju exige a menor carga: 76 horas e 23 minutos.
O estudo também calculou o impacto da alimentação no orçamento de quem ganha salário mínimo. O trabalhador comprometeu, em média, 46,13% do rendimento com a cesta básica nas 27 capitais. São Paulo novamente aparece no topo, com 56,88% do salário destinado à alimentação. Em Aracaju, o percentual é de 37,54%. Em Goiânia, a fatia chega a 48,77%, a 10ª maior do país.
Comparação internacional expõe o baixo salário brasileiro
Para além das fronteiras nacionais, o valor do salário mínimo brasileiro escancara uma realidade ainda mais dura, o brasileiro trabalha muito e ganha pouco. Enquanto o piso nacional para 2026 é de R$ 1.621, países vizinhos como a Bolívia já praticam um valor bem superior: 3.300 bolivianos, ou cerca de R$ 2.561, de acordo com a cotação atual .
O contraste é brutal: o trabalhador brasileiro ganha menos que o boliviano, mesmo com o Brasil tendo uma economia significativamente maior.
Para completar o cenário, o relatório do Dieese estima qual deveria ser o salário mínimo necessário para cobrir as despesas básicas de uma família em fevereiro: R$ 7.164,94 – valor cerca de 4,4 vezes superior ao piso atual.
Em outras palavras, o salário mínimo brasileiro de 2026 representa apenas 22% do que uma família precisaria para viver com o mínimo de dignidade previsto na Constituição.









