O PT de Goiás registrou primeiro o slogan “Goiás Pode Mais”, obrigando a campanha do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) a alterar o nome de sua coligação. O detalhe que torna o episódio curioso, e politicamente questionável, é que o lema já vinha sendo utilizado pelos tucanos desde o início da pré-campanha. Ainda assim, o registro formal foi feito primeiro pelos petistas, apenas quatro dias antes de a expressão aparecer na ata da convenção do PSDB.
Legalmente, a discussão parece simples: vale a anterioridade do registro. A federação liderada pelo PT comunicou que não abriria mão do nome, sustentando que quem formalizou primeiro teria prioridade sobre sua utilização. Diante do impasse, a campanha de Marconi resolveu não prolongar a disputa e mudou a denominação para “Goiás Pode Muito Mais”.
Mas uma coisa é a perspectiva jurídica; outra, a perspectiva ética e política. O PSDB sustenta que vinha utilizando ostensivamente a expressão havia meses, o que lhe daria uma espécie de “paternidade política” sobre o slogan. Nessa leitura, o registro petista, embora juridicamente defensável, teria sido uma apropriação oportunista de uma ideia já identificada com a campanha adversária. O PT, por sua vez, pode alegar que política partidária também se faz obedecendo prazos, registros e formalidades, e que sua assessoria jurídica simplesmente foi mais rápida.
É justamente aí que começa a discussão interessante. Nem tudo o que é legal é necessariamente elegante. A eficiência jurídica, neste caso, admite diferentes interpretações políticas: oportunismo, tentativa de criar embaraço ao adversário, estratégia eleitoral, inclusive pensando em eventuais composições futuras, ou simplesmente incapacidade de produzir uma marca própria e original.
E talvez este seja o aspecto mais desnecessário de toda a história. O PT já realizou grandes campanhas, produziu slogans memoráveis e contou com alguns dos melhores profissionais do marketing político brasileiro. Não precisava disputar no cartório uma ideia que já estava, havia meses, na praça pública com outro dono político.
No fim, Marconi acrescentou uma palavra e resolveu o problema: “Goiás Pode Muito Mais”. O PT ficou com o registro. E com o desgaste.
