Apoiadores de Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) argumentam a favor de seus líderes dizendo que as campanhas estão ótimas, melhorando em adesões e que não há dúvida de que vão ganhar. Os ares são estes em Goiás.
O descontentamento da população goiana com o governador Daniel Vilela (MDB) é grande. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) não tem o que mostrar de concreto e todo mundo vê isso. E o castelo do favoritismo do governo na eleição está a ponto de desmoronar. Acrescentam.
Aí vem uma pesquisa, vem outra, e mais outra, e o retrato de momento não mexe: Daniel lidera, Marconi está bem atrás e Wilder, bem mais atrás.
Aliados de Wilder insistem que em 2025 também era assim, as pesquisas erraram muito, e que na hora em que os bolsonaristas pegarem firme, o jogo vira. Questão de tempo.
E o tempo passa. E outra questão se impõe: mas o cenário não é crítico, com desgaste nacional para o bolsonarismo, e com o caiadismo bafejado pela boa avaliação do governo no Estado?
Bobagem, dizem. O bolsonarismo é maior que tudo isso, imbrochável nas urnas e inabalável na militância.
Marconistas, eufóricos, comemoram a boa recepção a Marconi no interior. Dizem que é a prova de que ele tá no caminho certíssimo e que, no 2º turno, ganha com larga diferença. Só acreditar e esperar o 2º turno.
Aí sai nesta quinta, 30, nova rodada da pesquisa Quaest: Daniel 37% (rejeição de 20%), Marconi 21% (rejeição de 46%) e Wilder 11% (rejeição de 21%). Daniel cresceu 4%, em relação à rodada de abril. (Mais sobre a pesquisa no link abaixo)
O que fizeram os candidatos de oposição pra mudar esse quadro, que se repete quase idêntico desde o início do ano?
Marconi faz campanha em rego d’água. Wilder faz campanha a conta-gotas. O PT não sabe o que faz. Daniel faz campanha e governa.
Como é que algo vai mudar se nada muda?
Pergunta velha para uma realidade que envelhece em direção previsível: possibilidade real de vitória de Daniel, e no 1º turno.
Seis considerações:
1
Daniel, consolidada a transição de poder de Caiado para ele, investe no apaziguamento de sua base: escolha do vice (o menos pior pra ele), contenção de danos nas candidaturas ao Senado, estruturação das chapas de candidatos a deputado, ampliação do número de partidos na coligação. De olho nas quedas de braço internas e no esvaziamento dos adversários.
2
A cada nova pesquisa divulgada, mais a percepção de vitória de Daniel aumenta no meio político, o meio que negocia. E vitória no 1º turno. As pesquisas encomendadas pelos comitês de campanha para contraponto às que reputam credibilidade, não estão dando conta do recado. Ao contrário: aceleram os acordos na direção de quem apresenta hoje perspectiva real de vitória.
3
Bolsonarismo é forte. Mas não é do mesmo tamanho em Goiás (e em uma eleição estadual) sem o caiadismo, o emedebismo, o irismo e o marconismo. No radar, a eleição de Goiânia em 2024. (Leia coluna anterior. Link abaixo).
4
Adversários começaram a criticar Daniel. Ele é alvo de ataques. Pontuais e leves, mas ataques. Qual o efeito?
5
Daniel não começou a atacar com força os adversários. Vem juntando munição.
6
Passadas as convenções, começa outra fase da campanha. A de guerra sem trégua.
Daniel mal tem adversário que o ameace. É o retrato do momento. Para mudar isso, tem que mudar tudo, nas campanhas adversárias. O que não aconteceu até aqui.
Como as campanhas adversárias não saem do lugar, Daniel não tem adversário que o assuste. O que ele faz é administração do tempo e de danos eventuais. Sem precisar ligar (ainda) o modo hard – a não ser nas negociações e uso estrutural da máquina que já comanda.
No ritmo que estão, e sem sair do lugar nas pesquisas, Marconi e Wilder podem até crescer, como apregoam seus arautos. Mas correm risco maior de cair, na medida em que as urnas se aproximam. Os indecisos vão principalmente para onde a vitória aponta.
Para as campanhas oposicionistas, acertar é o mínimo. Mas é pouco. O adversário Daniel errar é tudo: nunca foi tão fundamental. Mas ele basicamente não tem errado. Tem acertado mais.
