Repare nos gestos daquela mulher, como descrevem uma conversa amena e desenham uma alegria que explode os olhos. Repare nos seus lábios, combinados com as flores que pensem do teto, nesta decoração singela de jardim suspenso na imaginação diária.
Repare como o sol participa de tudo apenas com sua cor sussurrando. Há um sonho de mãos dadas com aquela abelha, tão fora de lugar nesta cidade atulhada de pressa. E essa brisa com seu cheiro de café, que doce mente ela é.
Fala um homem apaixonado. Pela vida. Pelo silêncio. Pela independência de estar onde cabe seu momento presente. Um homem indelével, uma brisa solta no tempo, como se o tempo fosse brisa, sem a massa concreta das 24 horas.
O homem acorda de manhã, vai onde quer, faz o que gosta, em companhia de um bom dia. As contrariedade chegam, se assanham. Espirra. A oração nessas vezes é um Kundera, um Cortázar, um Rosa, dois Veiga e aquele podcast de inspiração desperta.
Se perguntam pelo coração, diz que escreve poesia. E se querem saber dos pensamentos, fala que está prenhe. Nada acrescenta sobre a explícita vontade de querer mais e mais o que nem sabe o quê.
Suas incertezas são a sua sabedoria. Verbaliza sua respiração. O que vem e vai no espírito. Sua alma anda pelo corpo como um balão sem destino certo, certo de que é este o seu destino original: ir. Vai. E ele não tem volta. Quando chegar, avisa. Contará histórias.
Quando chegar a hora, perderá a hora. Em lugar de sofrer no trânsito do fim da tarde, pedirá mais uma chícara de café e adicionará outro dedo de prosa no instante (em) que inventar. Perderá as horas nas horas que (se) encontrar. Passe lá. Pode ser agora. Quem sabe vocês se desencontram hoje mundo afora. Procure pelo homem apaixonado. É o que mais há quando ele está.
