Já imaginou projetar o resultado das urnas sem depender exclusivamente de pesquisas tradicionais ou de apostas políticas? Em Goiás, um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo pesquisador Luiz Carlos Fernandes cruza dados oficiais e estima probabilidades eleitorais para os candidatos ao governo e ao Senado em 2026. O professor explica como o modelo funciona e por que a metodologia busca reduzir vieses por meio de sucessivas etapas de validação.
Segundo Fernandes, o método procura reduzir interferências humanas e minimizar erros de interpretação por meio de um processo de validação em três etapas. As conclusões fazem parte de um estudo elaborado pela Métis Consultoria, apresentado ao PortalGO.
Daniel Vilela aparece como favorito

Pelas projeções do modelo, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) tem cerca de 70% de probabilidade de vencer a eleição para o Governo de Goiás ainda no primeiro turno.
De acordo com o pesquisador, um dos fatores considerados é o histórico das últimas disputas estaduais. Desde 2010, nenhum candidato à reeleição perdeu a eleição para o governo em Goiás.
“Não diria que é uma barreira intransponível. Em política, nenhuma barreira é intransponível. Mas a vantagem estrutural de quem está na máquina em Goiás é particularmente alta”, afirma Fernandes. Segundo ele, o histórico eleitoral, a ampla base aliada de Daniel Vilela — formada por MDB, PSD, União Brasil e PP — e a continuidade da atual gestão ajudam a explicar o favoritismo atribuído ao vice-governador.
“O eleitor goiano costuma premiar administrações bem avaliadas, criando uma tendência de continuidade”, acrescenta o pesquisador.
Já o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) aparece com um teto eleitoral estimado em 33%. Para Fernandes, parte do eleitorado reconhece sua trajetória política, mas demonstra resistência à possibilidade de retorno ao governo.
Wilder Morais (PL), por sua vez, surge em terceiro lugar nas projeções, com índices variando entre 8% e 15%.
Senado tem favoritismo de Gracinha e disputa aberta pela segunda vaga

Na disputa pelas duas vagas ao Senado, o levantamento aponta amplo favoritismo da primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil), que teria mais de 90% de chances de eleição.
Segundo Fernandes, boa parte dessa força eleitoral decorre da associação política com o governador Ronaldo Caiado. O desafio, porém, será construir uma atuação própria no Senado sem perder o vínculo com o grupo político que a impulsiona.
Na avaliação do pesquisador, isso passa por fortalecer pautas próprias, principalmente nas áreas social, da infância e da educação, além de consolidar uma identidade política ao longo do mandato.
Gayer e Vanderlan disputam a segunda vaga

A segunda vaga ao Senado aparece como a disputa mais equilibrada.
De um lado, Gustavo Gayer (PL) concentra força nas redes sociais, no eleitorado conservador e na mobilização digital. Do outro, Vanderlan Cardoso (PSD) aposta na presença nos municípios, no mandato parlamentar e na atuação por meio de emendas.
Segundo o pesquisador, os dois representam modelos distintos de capital político. Enquanto Gayer se destaca pelo capital convertido em alcance digital e mobilização, Vanderlan concentra seu capital político na estrutura territorial e na atuação parlamentar.
O modelo aponta vantagem para Gayer, ainda que por margem estreita.
“O eleitor não está escolhendo entre dois nomes. Está escolhendo entre duas ideias de representação política”, afirma Fernandes. Para ele, campanhas curtas tendem a favorecer candidatos com maior alcance digital, enquanto Vanderlan depende de transformar sua presença no interior em maior mobilização também no ambiente online.
A projeção considera, ainda, um elevado número de eleitores indecisos, grupo que costuma definir o voto apenas nas últimas semanas da campanha.
Como o sistema funciona
Questionado sobre a confiabilidade da ferramenta, Fernandes explica que o modelo utiliza 13 agentes de inteligência artificial, organizados em especialistas que trabalham de forma independente.
Na primeira etapa, cada sistema produz análises próprias com base em modelos estatísticos e testes de hipótese.
Em seguida, essas conclusões são comparadas em um ambiente de revisão, onde cada argumento é confrontado com os demais, seguindo o princípio da falsificabilidade proposto pelo filósofo Karl Popper.
Na etapa final, um módulo de revisão aplica 24 protocolos de validação. Segundo o pesquisador, nenhuma informação entra no relatório sem respaldo em bases oficiais ou em fontes classificadas por níveis de evidência.
“Um consultor humano, por mais experiente que seja, tende a procurar evidências que confirmem suas próprias expectativas. O sistema foi desenvolvido justamente para reduzir esse tipo de viés”, afirma.
Outro diferencial da metodologia é o cálculo do chamado Custo Médio do Voto (CMV). Inspirado em indicadores usados pelo mercado, o índice relaciona os investimentos de campanha com o desempenho eleitoral, estimando quanto custa conquistar cada voto. A intenção é oferecer uma análise baseada em métricas objetivas, substituindo avaliações intuitivas por indicadores mensuráveis e permitindo decisões de campanha baseadas na alocação mais eficiente dos recursos disponíveis.
