A polarização entre Daniel Vilela (MDB) e Marconi Perillo (PSDB) na disputa pelo governo ocorre nos números, no imaginário e na realidade, em Goiás.
Pesquisas colocam Daniel em 1º e Marconi em 2º. O embate é alimentado pela representação do duelo entre o marconismo e o caiadismo, do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
Wilder Morais está fora dessa conta porque a sua perspectiva eleitoral não está assentada em sua história política, porque ela não é própria: é atrelada a outros protagonistas, ele sempre como coadjuvante. Ela é sustentada na expectativa bolsonarista. Wilder não faz por merecer. Ele espera. E torce.
E o PT está nas contas da projeção de 2º turno – se sim, ou se não haverá. Fosse Adriana Accorsi, que chega a 10% nas pesquisas, a candidata a governadora, não haveria qualquer esperança de vitória no 1º turno para Daniel, como ele tenta fazer crer agora. O cálculo está nos bastidores das pré-campanhas, pelos que ponderam resultados na realidade e nos índices.
Integrantes da equipe de comando de Daniel sempre insistiram que Marconi é o candidato escolhido por eles. O perfeito. O ideal a ser enfrentado. Veem o tucano, com rejeição alta, um nome vulnerável. Para Marconi, a estratégia do adversário é conveniente aos seus interesses. E ele dá corda à narrativa. Provoca. Puxa o embate. Não é melhor bater-se com o líder do que com os que correm atrás?
Esse confronto armado nas estratégias é um bem-bolado para os dois. Wilder é a incógnita e o inconveniente explicável a ambos: fruto do momento político nacional, e não da realidade estadual. Nada se espera dele. Mas tudo pode ser esperado do bolsonarismo. Como esse eleitorado é amplo e coeso, há respeito a ele, o eleitorado. O que não pode ser dito em relação a Wilder. O que pensam.
A disputa com Wilder se dá em outro aspecto. Daniel e Marconi buscam o eleitorado de direita, o que não é propriamente bolsonarista. Ao contrário: o que está contrariado e propenso a não votar com ele. Flávio não os representa, e cada dia contraria mais. Significa que Wilder é o bolsonarismo, mas a direita em Goiás não é Wilder, posto não ser toda bolsonarista.
A direita está mais para identidade caiadista. A parte não bolsonarista. Há dois anos, todos vimos o caiadismo vencer o bolsonarismo. Sandro Mabel (União Brasil), candidato a prefeito de Goiânia, ganhou no 2º turno de Fred Rodrigues (PL). Abalizador da candidatura de Daniel, Caiado lidera pesquisa para a Presidência no Estado.
Outro fato extraído de 2024 que bate em 2026. O eleitorado goianiense mais à esquerda pendeu para Mabel. E a tendência, de acordo com os levantamentos atuais, é de que em um possível 2º turno estadual entre Daniel e Wilder, esse eleitorado faça caminho igual: migre para o caiadista Daniel naturalmente. Espontaneamente – ou estrategicamente, já que há na equação o componente anti-bolsonarismo lulista.
Não é à toa que Marconi Perillo faz em Goiás o discurso que Caiado faz nacionalmente: no 2º turno, ele ganha de Daniel. Como não é aleatório o aceno dos marconistas a um eventual apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno nacional. Por mais contradições que o gesto carrega, há nele uma ponta de esperança de, em um 2º turno com Daniel, Marconi ser o palanque e o candidato da direita no Estado — para empurrar Daniel para a conta salgada de Lula.
Mas aqui há um ponto cego: a direita goiana é bolsonarista ou caiadista; seria marconista?
A polarização Daniel-Marconi é fruto das conveniências dos dois para ver se sobra para sua base de apoio e votos um eleitorado incerto e bem sabido, o da direita (chamada) raiz. Que os estrategistas (se são tanto) de lado a lado veem como capaz de definir a eleição em Goiás. A presença de Wilder até bagunça esse jogo combinado. Mas o jogo é este, e por ora caminha na direção da inevitável polarização, por falta de reação de Wilder.
Wilder tem a chance mas não mostra (ainda?) a disposição necessária para furar esse cerco. O que aliados seus definem como preguiça, por irritação com a demora nas ações. E piora agora com o inferno astral de Flávio Bolsonaro, que paga o custo da promessa reiterada de subserviência aos Estados Unidos, que taxam o Brasil e querem acabar com o nosso Pix. Pesquisas revelam que a defesa da soberania não toma eleitorado bolsonarista de Flávio, mas, da direita mais ampla, sim. E só o bolsonarismo, segundo essas mesmas pesquisas, não elege nem Flávio, nem Wilder.
Daniel quer Marconi candidato. Marconi quer Daniel na disputa.
Vão brigar para ver quem fez o pior governo: o caiadismo ou o marconismo? Porque não há no horizonte qualquer sinal de que será uma eleição sobre o melhor para o Estado. Planos de governo não prosperam como alternativa apresentada. O que prospera nas conversas com assessores de ambos é plano de destruição alheia. Pela disposição empenhada, vão lutar até as últimas consequências para um provar que o outro fez o pior dos mundos para os goianos.
A guerra entre Daniel e Marconi em Goiás será vencida por quem viver para desconstruir a história do outro. Wilder que conte a sua.
