Vamos falar de eleição aberta em Goiás?
Então falemos da disputa pelas duas vagas no Senado, com o fim dos mandatos de Vanderlan Cardoso (PSD) e Jorge Kajuru (PSB).
É grande o número de eleitores desligados da campanha para o Senado.
Gente que não sabe o que é ser senador da República. Que não têm dimensão da importância de seu voto. Que não carrega nome certo na cabeça ou no bolso para, em outubro, depositar na urna.
Segundo um experiente pesquisador, chega a 80% do eleitorado essa massa eleitoral de perdidos no espaço das campanhas.
Definir o próximo governador e escolher deputados federais e estaduais são realidades mais palpáveis e imediatas. Senado fica longe do senso comum.
Uma oportunidade para todos os pré-nomes no jogo. Um risco para os favoritos jogadores.
Em Goiás, há muitos pré-candidatos, bons nomes, uma favorita para o primeiro voto, mas nada definido. Por dupla razão: 1) nomes variados com chances reais por simples leitura política; 2) a estatística elástica. Logo: cenário em aberto.
A variedade de bons nomes torna tudo mais emocionante. Mais o fato inusitado: uma espécie de consenso de que não são duas vagas em jogo, propriamente, mas uma.
O chamado 1º voto é dado como fato certo, nas conversas de bastidores: irá para a ex-primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil). Significa que uma vaga será dela.
Avaliação geral. Ninguém disputa com ela essa prevalência de largada.
Gracinha construiu sua candidatura ao liderar a área social do governo e se consolidar como mulher forte em toda a administração. Não é a esposa de Caiado candidata. É candidata e esposa.
Gracinha tem foro próprio estabelecido na política de base: no contato frequente com primeiras-damas municipais, prefeitos, líderes regionais, com quem está na ponta. E com a população.
No dia a dia do governo, ela firmou pactos políticos que agora lhe dão sustentação e base se apoio. Não há veleidade eleitoral. Há trabalho antes e de campanha.
A aprovação de 84% (Quaest) do governo Caiado faz parte do seu sucesso, assim como ela é parte do sucesso da gestão puxada pelo marido. Responsabilidade compartilhada, louros e benefícios colhidos juntos.
Os outros pré-candidatos evitam o confronto com ela (com uma única exceção: Gustavo Mendanha; voltaremos a este ponto), embora confronto entre eles não falte.
Vanderlan Cardoso, que tenta a reeleição, vez ou outra bate de testa com Gustavo Mendanha. Não há paz.
Disputam o Senado, mas antes disputam um colégio eleitoral específico: Aparecida de Goiânia. Vanderlan quer entrar; Gustavo se vê dono do pedaço, prefeito que foi e que ajudou a eleger o atual, Leandro Vilela (MDB). Demarcação de território eleitoral.
Zacharias Cali, médico e deputado federal que completa a lista de postulantes governistas, é um nome à parte.
Tem trânsito livre na direita, esquerda, no centro. Como um outsider político – alguém visto mais como referência em cirurgias de separação de gêmeos do que político talhado na velha tradição brasileira, como Vanderlan e Mendanha.
Incomoda a todos, que, em contrapartida, tentam ignorá-lo e desqualificá-lo como adversário relevante. Uma incógnita, isso que ele é. Não tem lado, mas já mostrou ter voto. Em 2018 foi eleito para a Câmara com 151 mil votos (5% dos válidos).
Gustavo Mendanha (PSD) estava fora da disputa. Queria ser vice na chapa de reeleição do governador Daniel Vilela (MDB). Há menos de um mês, sem ver chance do projeto vingar, calibrou o foco para o Senado.
Sua candidatura não incomoda apenas Vanderlan. Com Vanderlan, ele bate de frente e em público. Nos bastidores, o incômodo está em outro patamar: Gracinha Caiado.
Uma avaliação interna no governo é de que ele pode tirar parte do primeiro voto de Gracinha. O voto do eleitorado do entorno de Goiânia e também o do eleitor do entorno de Brasília.
O incômodo se estende a uma visão mais restrita, a de que sua decisão de disputar o Senado é decisão de confronto indireto com Caiado e Daniel, que prometeram e não lhe entregaram a vice.
Essa visão explica as reações de Vanderlan, que tem fixado sua reeleição em dois pontos: ligação com governo Caiado/Daniel, e ‘dobradinha’ informal com Gracinha candidata.
Vanderlan busca se consolidar, sem dizer de forma aberta, como o segundo voto do eleitor ‘governista’.
Gracinha sempre deixou claro o desejo de que a base do governo lançasse dois candidatos, somente: ela e mais um.
Este um, inicialmente, seria Gustavo Gayer, em aliança da chapa de Daniel com o PL.
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Como não deu certo – Wilder Morais venceu a queda de braço interna e se fez candidato a governador do bolsonarismo -, Vanderlan correu para ocupar esse espaço ao lado de Gracinha.
Para registro, havia um outro candidato na base do governo. Alexandre Baldy (PP). Que recuou. Será o primeiro suplente de Gracinha.
Gustavo Gayer, por um bom tempo, foi tido como tão favorito para ganhar vaga no Senado como Gracinha Caiado.
Essa percepção caiu bem. As pesquisas hoje o colocam na briga com os outros, não mais na liderança com ela.
Entra como ruído para a sua candidatura a dissintonia com Wilder. Gayer era contra a candidatura de Wilder. A situação, tida como resolvida em público, permecece incerta nos bastidores.
Na oposição, Gayer é o único nome que desponta. Humberto Teófilo (NOVO) faz barulho. Dentro do grupo bolsonarista, sua candidatura é colocada na conta do “olha, ele vai surpreender”. Vai?
Nem todas os pré-candidatos a governador lançaram chapas para o Senado. A da esquerda (PT e aliados) está indefinida, a bolsonarista, idem, e a de Marconi Perillo (PSDB) não tem nome posto.
Abaixo, os números da mais recente pesquisa Diagnóstico, realizada entre 25 e 18 de junho, com os pré-candidatos conhecidos.
1º Voto
Gracinha Caiado – 23,5%
Gustavo Gayer – 12,1%
Gustavo Mendanha- 8,8%
Alexandre Baldy – 7,6%
Vanderlan Cardoso – 7,5%
Delegado Humberto Teófilo – 7,3%
Zacharias Calil – 4,1%
Izaura Lemos – 3,1%
Prof. Marcos Carvalho – 1,1%
Jure Castro – 0,3%
Oséias Varão – 0,2%
Nenhum/Branco/Nulo – 4,7%
Não sabe/Opina – 19,7%
2º Voto
Delegado Humberto Teófilo – 16,1
Vanderlan Cardoso – 16%
Gustavo Mendanha – 13,4%
Gracinha Caiado – 13,1%
Gustavo Gayer – 12,5%
Zacharias Calil – 9,1%
Isaura Lemos – 6,5%
Alexandre Baldy – 2,9%
Professor Marcos Carvalho – 1,6%
Iure Castro – 0,6%
Oséias Varão – 0,4%
Nenhum/Branco/Nulo – 1%
Não sabe/Opina – 6,9%
