A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou pública uma crise envolvendo integrantes da família Bolsonaro ao relatar desentendimentos com o senador Flávio Bolsonaro durante discussões sobre as alianças eleitorais do PL no Ceará.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle afirmou que permaneceu em silêncio nos últimos meses para evitar desgastes familiares, mas decidiu se manifestar após o que classificou como ataques de aliados do bolsonarismo e a circulação de informações falsas sobre sua atuação política.
Segundo ela, o conflito teve origem nas negociações para a formação das chapas que disputarão as eleições no Ceará. Michelle defende a candidatura de Priscila Costa ao Senado e afirma que a posição refletia orientações previamente alinhadas com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama criticou a possibilidade de mudanças na composição da chapa para viabilizar alianças políticas no estado. Na avaliação dela, a retirada da candidatura de Priscila Costa representaria uma concessão desproporcional dentro das negociações conduzidas por lideranças locais do partido.
Divergência ganhou dimensão pública
Michelle afirmou que o desgaste se intensificou quando Flávio Bolsonaro passou a defender publicamente lideranças cearenses com posição divergente da sua. Segundo ela, os posicionamentos publicados pelo senador nas redes sociais ocorreram sem qualquer conversa prévia entre os dois.
A ex-primeira-dama também declarou que outros filhos do ex-presidente adotaram postura semelhante. Para ela, as manifestações públicas ocorreram de forma coordenada, ampliando o isolamento político que vinha enfrentando dentro do grupo.
Relato de conversa com o senador
Durante o vídeo, Michelle relatou que procurou Flávio Bolsonaro por telefone após as publicações. Segundo sua versão, a conversa ocorreu poucas horas depois das manifestações nas redes sociais e terminou de forma negativa.
Ela afirmou ter sido tratada de maneira ríspida pelo senador e disse que ouviu críticas à sua participação nas decisões partidárias. De acordo com Michelle, Flávio teria argumentado que ela possui pouca experiência política e deveria se manter afastada de discussões estratégicas dentro do partido.
“Me desrespeitou e me maltratou”, afirmou a ex-primeira-dama ao comentar o episódio.
O que está em jogo
Mais do que um conflito familiar, o episódio expõe divergências sobre a condução das alianças eleitorais do PL em um momento de reorganização do campo bolsonarista para as eleições de 2026.
A manifestação pública de Michelle também reforça sua crescente participação nas decisões políticas do partido e sinaliza uma disputa por influência dentro do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O próximo movimento a ser observado será a reação das lideranças do PL e dos aliados envolvidos nas negociações do Ceará, além dos possíveis impactos do episódio na unidade política do bolsonarismo nos estados.
